Domingo passado, desenhei na primeira página a caricatura do neocuritibano Francis Ford Coppola sobraçando uma garrafa da Gengibirra Cini, com a legenda: De Curitiba para o mundo: Chateau Gengibirra Cini Reserva Especial. Foi apreço, sem preço. Orgulhosamente me confesso mais um cinimaníaco, fã da Gengibirra Cini. Sim, tem gente que nem tanto e tem até restaurantes que não a inserem na carta de bebidas. Gente desprovida de sensibilidade para as “finesses” de Curitiba.

Na semana, recebi o seguinte e-mail de Bira Menezes, proprietário da agência de propaganda Parceria.

– Caro amigo Dante, grande abraço. No último domingo a sua charge na primeira do Estado me chamou atenção, além da qualidade, por uma coincidência. É que, além de a Cini ser minha cliente, há algum tempo atrás criei uma campanha cujo tema era Cini Aventura, cujo personagem principal era um diretor de cinema e sua tradicional cadeira, cujo nome de batismo era Coppola. Gostaria de fazer um mimo para a diretoria da Cini, fazer uma ampliação do seu desenho, botar numa belíssima moldura e presentear à turma que produz o Chateau Gengibirra. O que você acha disso?

Respondi assim:

– Caro Bira, gosto que me enrosco da Gengibirra Cini, de graça. Quanto ao mimo, o jornalista e assessor de imprensa da Cini, Eugenio Torres, passou aqui na Editora para apanhar alguns exemplares da edição com o desenho do Coppola. Aproveitando, não só sugeri entregar no hotel uma caixa da Gengibirra Cini ao cineasta, como também Eugenio foi portador do desenho original à família Cini: um tributo a esta jóia rara da cultura curitibana.

Como cinimaníaco, da história sei pouco. Sei que Egizio Cini tem suas raízes na Itália, no Vêneto, e imigrou com seus compatriotas embalados nos eventos anarquistas que sopravam na Europa daqueles tempos. No Brasil, se instalaram em terras doadas pelo Imperador D. Pedro II, onde fundaram uma comunidade anarquista, a Colônia Cecília: comunidade libertária fundada aqui em Palmeira (PR), em 1890. Sonho idealizado pelo anarquista italiano Biófilo Panclasta (1879-1942) e realizado pelo médico-veterinário Giovanni Rossi (1856-1943). Também italiano e anarquista, Rossi transferiu-se em 1897 para Rio do Sul, em Santa Catarina, onde colaborou na criação das primeiras cooperativas agrícolas e se tornou um técnico de mérito reconhecido, introdutor da soja no Brasil, o que não impediu que o governo italiano o mantivesse sob vigilância. Em 1906 regressou definitivamente à Itália, onde morreu.

Uma saga na medida para um filme do Coppola, bem registrada em vários livros. Entre outros, “O anarquismo da Colônia Cecília”, de Newton Stadler de Souza, e a história romanceada por Afonso Schmidt em “Colônia Cecília”. Desfeitos os sonhos anarquistas, Ezigio Cini iniciou a fabricação artesanal de bebidas e em 1904 foi registrada a marca. Agora, vésperas de comemorar bem vividos 100 anos, a saga será brindada com Gengibirra, que em italiano significa: gengi = gengibre e birra = cerveja. Originalmente um hábito caseiro de se preparar uma bebida a partir de gengibre, açúcar e fermento.

Com sabor de Curitiba, a Gengibirra Cini devia ser instituída bebida símbolo da cidade, a ser servida em solenidades e aos seus ilustres visitantes, como Francis Ford Coppola. Se este neocuritibano aprecia raros sabores, bem deve ter apreciado a nossa singular Chateau Gengibirra Cini Reserva Especial.

Bira Menezes, até quarta-feira. Um abraço cinimaníaco e que tal criar um especial rótulo para a Gengibirra Cini, na forma de um lambrequim?

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