
Não resta dúvida que Geraldo Alckmin ?recebeu uma gravata? de Lula. Enfatizando sua política assistencialista, o presidente bem poderia doar ao principal adversário uma gravata no sentido literal; a tira de tecido, estreita e longa, usada em volta do pescoço e amarrada em nó ou laço na parte da frente. Como está nos dicionários e nas vitrinas.
A gravata é símbolo dos vencedores. Na recente carta que semeou a cizânia em terras tucanas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu que o candidato do partido está fora do jogo, mas não reparou que Alckmin está também fora dos cânones da elegância. ?Alckmin saiu de Pindamonhangaba, mas Pindamonhangaba não saiu dele?, é o que se comenta nos corredores da Daslu.
Eu já havia feito uma charge a propósito, mas quem primeiro reparou no atual desconforto do PSDB foi o jornalista Mino Carta: ?Geraldo Alckmin não hesita em ornar-se com fulgurantes gravatas amarelas. Trata-se de mais um súdito, mas ignoro se o candidato tucano se dá conta disso. Sem excluir a possibilidade de que ele não pretenda envergar a elegância de Saville Row. O refinamento extremo impõe a fuga das modas. Por exemplo, destas camisas pretas, ou vigorosamente cinzentas, outrora usadas apenas por soldados mafiosos e seguranças nativos, e hoje exibidas por executivos dos mais variados calibres. Quanto às gravatas amarelas, faíscam dia e noite, são um firmamento?.
Quando deputado federal, Luiz Inácio se dizia numa ?saia justa?, dentro do tímido traje que usou na cerimônia de instalação da Constituinte: terno verde-claro e uma gravata marrom. Verde-claro com marrom?
Eleito presidente da República, o figurino do companheiro já era outro; o discurso idem: ?Sempre achei gravata muito elegante. Achava muito bonito quando via meu pai saindo para trabalhar de gravata todos os dias. Vinte anos de fábrica e eu não me acostumei com o macacão, e bastam dois dias para eu me acostumar com o terno e a gravata?.
Como observa o companheiro Rafael Greca, ?o conforto acostuma?.
Roberto Requião sempre vestiu azul, e sua sorte não vai mudar. O alfaiate já deve ter riscado uma fatiota nova, porém resta uma pequena grande incógnita: avesso aos trajes formais, dona Maristela Requião conseguirá convencer o marido a usar gravata na solenidade de posse?
Pelo sim pelo não, diz o bom tom que o vencedor deve encomendar o que lhe vai ao peito na Croácia – da prestigiada companhia Kravata-Croata – onde nasceu a ?kravata?. Por volta de 1635, um grupo de soldados croatas veio a Paris manifestar seu apoio a Luis XIII e chamavam a atenção pelo curioso xale amarrado de uma maneira muito elegante ao redor de seus pescoços.
Se a moda ?à la croate? conquistou os franceses, porque uma legítima ?cravate? não há de conquistar o pescoço do informal Roberto Requião?