Conheça Nova Orleans sem sair de Curitiba, no feriadão quase uma réplica da cidade esvaziada. Nas ruas, as poucas boas almas que ainda insistem em não abandonar o lar, este nosso velho doce lar. Na Semana da Pátria, Nova Orleans é aqui.

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Assim será o feriadão curitibano, porque nesta data somos um Brasil diferente. Passado o dia da pátria amada – salve, salve! – , nos resta ainda o 8 de setembro para reverenciar a padroeira Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. De quarta a domingo, enforcando a sexta-feira, que também somos discípulos de Dorival Caymi, Nova Orleans é aqui. Todavia, oremos para que não se repita o dilúvio de domingo passado, quando o caos se esparramou pela periferia.

Mas não será por falta de tragédias que neste feriadão não nos remeteremos ao Mississipi, mesmo estando em Curitiba. Basta fazer uma viagem imaginária através da política brasileira: mar de lama, esgotos a céu aberto, saques, cadáveres insepultos, eis que estamos no Mississipi. Ou, neste Brasil brasileiro, onde o atual cenário não é uma beleza.

Quando o nosso grande escritor e crítico Wilson Martins teve a chispa de escrever ?Um Brasil Diferente?, presume-se que a iluminação foi por obra e graça de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Num 8 de setembro da padroeira, com o silêncio cortado apenas por um polaco chutando lata, foi quando o mestre deve ter riscado no papel o título da obra. Largou a caneta e foi rondar a cidade vazia que é uma beleza.

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É ver para crer porque somos diferentes: em Paris as pessoas flanam, no Rio de Janeiro botam o bloco na rua, aqui conjugamos o verbo rondar. Aos que ficam em Curitiba neste feriadão, o segredo de Curitiba é rondar a cidade, descobrir as delícias de uma cidade aberta e disponível.

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Aos que partem, e a grande maioria toma o rumo da região pesqueira de Santa Catarina, algumas dicas de linguagem para o viajante se orientar no litoral catarina. Segue abaixo um pouco da cultura peixera de Itajaí, um dicionário básico para os apreciadores de pirão de farinha branca com peixe frito.

Abobado – metido a besta / Batêra – canoa / Bobiça – coisa sem importância / Buso – ônibus / Cacau – chuva forte / Cachorrinho – pão salgado / Cambar – dobrar uma esquina / Capaish! – imagina / Chinéli – pessoa que não vale nada / Dá-de-dedo – tomar satisfação / Dengo-dengo – individuo natural de Navegantes (do outro lado de Itajaí) / Derreal – dez reais / Dorreal – dois reais / Zjahôje – agora há pouco / Esganado – egoísta / Ishcumungado – desgraçado / Hôx ou hôj – hoje / Inticar – provocar / Judiaria – maus tratos / Mêmo -mesmo / Nao dá nem pro cheiro – não vai ser suficiente / Os córno – o rosto / Pau de virá tripa – pessoa magrela e alta / Pianço – dificuldade respiratória / Prá bonito – coisa sem utilidade / Puliça – policial / Rapax – pequeno – criança / Rasgar a boca – levar um fora / Renento – pessoa rabugenta / Se afinou – morreu de rir / Tanço – pessoa pouco inteligente / Táx tolo – estas ficando louco / Tirá farinha – levar vantagem / Todavida reto – siga sempre em frente / Vai dá tainha – zombar de quem está muito agasalhado em dia quente / Vaix querê -vai encarar / Visse? – entendeu? / Meti a boca – chamou um monte de palavrão / Si criemo junto – indivíduos que cresceram juntos / Caiu um pastel – levou um tombo / Ganhou uma ixbarrada – bateu de carro / Gonorante – ignorante / Barrasco – homem forte / Zica – bicicleta / Adespoji – depois / Vô dali na cara – dar um golpe na face de alguém / Sarar o pisado -curar uma ferida / E aí bob?? – como vai você?? – gíria proveniente da atalaia que faz referencia ao cantor de reggae Bob Marley / Dou-ti cox quatro pé no peito – vou te quebrar inteiro / Asx direita – virar a direita (geralmente usada como complemento de todavida reto) / Intizicar – incomodar / Dou-ti uma que ti faço gatinhá – de bato tão forte que você vai cair de quatro / Ehn ehn nego! – usada a toda hora pra qualquer coisa e a famosa ?etchooo?!!!, sem tradução.