Para seu governo, e conforme incumbência a mim destinada antes de sua profícua e auspiciosa viagem à China, venho através desta lhe apresentar relatório de atos e fatos ocorridos nesta nem sempre mui leal capital, protegida de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Sem mentira nenhuma, que hoje é 1.º de abril, foram calmos e modorrentos esses últimos 15 dias de maio do ano de 2005 – sob o signo do galo, pelo calendário chinês – , sentidos de sua presença e graça.
BAIXO CLERO – Os deputados federais fizeram um negócio da China ao eleger Severino Cavalcanti presidente daquele sindicato parlamentar. Perfeito homem de negócios, Severino estabeleceu um local muito apropriado para suas conversas reservadas com os nobres colegas: o banheiro. Muito à vontade, o ?caríssimo? presidente introduz os interlocutores ao banheiro e, entre a pia e o vaso sanitário, costura acordos à esquerda e à direita, na mais plena privacidade. Com isso, Severino confirma a regra de que nossos políticos confundem a vida pública com a privada.
ESCOLINHA DO MESTRE – Sua escolinha das terças-feiras, como sempre, foi transmitida ao vivo pela televisão, desta vez focando no secretário de Comunicação, Airton Pisseti, que não fez feio. Quem não fez bonito foram os distintos alunos postados na platéia: despudoradamente, seus ilustres pupilos brindaram os telespectadores com cinematográficos bocejos. Inexplicável, pois o nosso Benedito Pires foi citado 43 vezes, o que é de tirar o sono de qualquer subordinado, e, conforme anunciou o secretário Pisseti, 52 milhões de internautas visitaram o site de seu governo. Números respeitáveis aqui e na China, não fossem os bocejos traidores.
ANIVERSÁRIO DA CAPITAL – Este relatório não se pretende fofoqueiro. A incumbência me faz relatar que o nosso simpático Orlando Pessuti recebeu em palácio o prefeito Beto Richa, por ocasião do aniversário da cidade. Tomaram chimarrão, trocaram letras de músicas sertanejas, além da receita do bolo em que apagaram as 312 velinhas (e não velhinhas, grife-se) de Curitiba. Foi uma tertúlia sem maiores conseqüências políticas, não fosse o ex-Pessutão, agora candidato a Pessutinho, ter demonstrado especial interesse na reforma relâmpago do secretariado municipal, reforçando boatos de uma ?revolução cultural? no bocejante mandarinato estadual.
CASO BONATURRA – Deus me livre e guarde insinuar trocadilho com Bonaturra, Boasurra ou Boatunda, senhor governador. Nos poupe deste relato. Este não é um caso municipal, estadual ou federal. É um caso doméstico, a ser resolvido entre quatro paredes, sob os lençóis de linho egípcio do casal Sandra e Luiz Henrique Bonaturra.
GASTRONOMIA – Sinto dizer, governador, mas se Orlando Pessuti tem tomado conta de sua cadeira em palácio, o deputado Hermas Brandão vem ocupando com assiduidade sua mesa no Bar dos Passarinhos, bem feliz e contente. Tucano bom de bico, só tem degustado lula. Alvaro Dias, também.
FUTEBOL – Mal postada na defesa, a bancada governista só tem marcado gol contra. Com exceção do meio-campista Rafael Greca, aos cuidados do departamento médico, vítima de um entorse na corda vocal esquerda.
IMPRENSA – Por uma questão de ética profissional, só posso dizer que os coleguinhas estão sorumbáticos com a sua ausência. Para usar uma expressão de José Cândido de Carvalho, no livro O coronel e o lobisomem, eles estão ?abatidos, com o olho na ponta do pé?. Sentados na porta do palácio, eles cantam em coro: ?Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está batendo em mim?.
GARAPA – A população de Santa Catarina está sendo dizimada pelo ?mal de Chagas?. Entre mortos e feridos, o ex-governador Esperidião Amin, que há muitos e muitos anos não passa nem perto de um barbeiro.
Até domingo, governador, ao largo da Ilha das Cobras: no sábado, estaremos participando da regata do Iate Clube de Paranaguá, compondo a marinhagem do comandante Murilo Cassol, no veleiro Squalo II.