
(Massachussets da Silva, de Milão, norte da Itália) – Está nas páginas do jornal Gazzetta dello Sport, o principal matutino esportivo italiano, que acabo de comprar na Piazza Duomo: Lothar Mattäus é o novo técnico do Salzburgo, vice-campeão austríaco, time de propriedade da Red Bull, do milionário Dietrich Mateschitz. Mattäus vai trabalhar com o Trapattoni, que será o diretor-técnico: parece que ambos por indicação do Beckenbauer.
Na breve biografia do técnico mencionam os clubes pelos quais foi técnico: Rapid Vienna, Partizan Belgrado e ?della nazionale ungherese? (a seleção da Hungria). Do Atlético Paranaense, nenhuma linha, uma mísera linha. Esqueceram, ou o alemão rasgou o Rubro-Negro do currículo e riscou Mário Celso Petraglia do caderninho.
Triste esse pedaço, todo mundo parece querer se esquecer. Inclusive os jornais europeus.
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Ainda na Gazzetta dello Sport, a primeira página como não podia deixar de ser estampa o escândalo de arbitragem no futebol italiano, e que coloca sob suspeita até os bandeirinhas da liga do Vaticano.
Num bar aqui nas imediações do Teatro alla Scala, um garçom napolitano explicou ?cosa sucede?:
Se um juiz italiano cair do prédio de 20 andares, por que ele demora pra chegar ao chão? ?Molto semplice?, diz o garçom: ?Porque o juiz parou para roubar o ar-condicionado.?
E sabe por que as cobras não mordem juiz italiano? O napolitano ainda pergunta e responde: ?Ética profissional!?.
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Enquanto faço hora para embarcar para a friorenta Suíça com muito pesar, aquele cantão em Weggis é um tédio, trato de curtir o calor da Itália, que é uma diversão: em Ferrara, aqui perto de Milão, o argelino Ahmed Salhi, sentenciado a nove meses de prisão domiciliar, pediu à Justiça para mandá-lo de volta à cadeia porque não agüentava mais as implicâncias de sua mulher italiana. O tribunal concordou com o pedido e Salhi ficará preso o resto da pena.
O incrível é que o argelino fez pedido extra, também atendido pelo juiz: quer ficar em cana numa prisão com sinal de celular bloqueado. Aqui no Brasil, esse Ahmed seria considerado maluco e enviado ao hospício. Mas faz sentido: mulher italiana, com celular na mão, deve ser mais perigosa que bandido do PCC.