A partir de hoje, passamos a contar com a colaboração especial do veterano jornalista Massachussets da Silva, que já está a caminho da Alemanha para cobrir mais uma Copa do Mundo. Massa, como é conhecido entre seus velhos companheiros de imprensa, tem vasta experiência de coberturas esportivas internacionais. Cobriu sua primeira Copa do Mundo, no México, quando causou comoção entre os leitores desta Tribuna. Por erro da operadora de turismo, embarcou no avião de companhia aérea cubana, se perdeu no caminho, e cobriu o tricampeonato da Jamaica. Agora, aposentado, Massachussets da Silva está há duas semanas na Itália. De Milão, atravessa os Alpes com destino ao sonolento vilarejo de Weggis, na Suíça, onde os craques canarinhos vão ficar no come-dorme até a bola rolar na Alemanha. Massachussets da Silva vai assinar regularmente seus despachos com o título de ?Alles blau (tudo azul) etc. e tal?.

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(Massachussets da Silva, de Milão, norte da Itália) – Está nas páginas do jornal Gazzetta dello Sport, o principal matutino esportivo italiano, que acabo de comprar na Piazza Duomo: Lothar Mattäus é o novo técnico do Salzburgo, vice-campeão austríaco, time de propriedade da Red Bull, do milionário Dietrich Mateschitz. Mattäus vai trabalhar com o Trapattoni, que será o diretor-técnico: parece que ambos por indicação do Beckenbauer.

Na breve biografia do técnico mencionam os clubes pelos quais foi técnico: Rapid Vienna, Partizan Belgrado e ?della nazionale ungherese? (a seleção da Hungria). Do Atlético Paranaense, nenhuma linha, uma mísera linha. Esqueceram, ou o alemão rasgou o Rubro-Negro do currículo e riscou Mário Celso Petraglia do caderninho.

Triste esse pedaço, todo mundo parece querer se esquecer. Inclusive os jornais europeus.

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Ainda na Gazzetta dello Sport, a primeira página como não podia deixar de ser estampa o escândalo de arbitragem no futebol italiano, e que coloca sob suspeita até os bandeirinhas da liga do Vaticano.

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Num bar aqui nas imediações do Teatro alla Scala, um garçom napolitano explicou ?cosa sucede?:

 Se um juiz italiano cair do prédio de 20 andares, por que ele demora pra chegar ao chão? ?Molto semplice?, diz o garçom: ?Porque o juiz parou para roubar o ar-condicionado.?

E sabe por que as cobras não mordem juiz italiano? O napolitano ainda pergunta e responde: ?Ética profissional!?.

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Enquanto faço hora para embarcar para a friorenta Suíça com muito pesar, aquele cantão em Weggis é um tédio, trato de curtir o calor da Itália, que é uma diversão: em Ferrara, aqui perto de Milão, o argelino Ahmed Salhi, sentenciado a nove meses de prisão domiciliar, pediu à Justiça para mandá-lo de volta à cadeia porque não agüentava mais as implicâncias de sua mulher italiana. O tribunal concordou com o pedido e Salhi ficará preso o resto da pena.

O incrível é que o argelino fez pedido extra, também atendido pelo juiz: quer ficar em cana numa prisão com sinal de celular bloqueado. Aqui no Brasil, esse Ahmed seria considerado maluco e enviado ao hospício. Mas faz sentido: mulher italiana, com celular na mão, deve ser mais perigosa que bandido do PCC.