Pra quem já está saudoso do Festival Coppola em Curitiba, resta um consolo. Não tem o mesmo charme, mas compensa na silhueta: Santa Catarina, Paraná ou Rio Grande do Sul, não se sabe ainda. O que se sabe é que a estrela internacional Madonna, virá ao Sul do Brasil até dezembro para rodar cenas do longa-metragem Heading Choice, do diretor Martin Scorsese, o mesmo de Taxi Driver e Gangues de Nova York.

No novo título, a cantatriz contracenará com Adam Sandler e interpretará uma assassina profissional. Perseguida, esconde-se aqui e acolá no Brasil, até chegar ao Uruguai. O roteiro ainda não é concluso, mas as locações e cenas não devem ir além da nossa imaginação. Assim, teremos Madonna em Foz do Iguaçu, obviamente, caindo das cataratas para surgir a bordo de um barco do Macuco Safári, singrando a Baía de Paranaguá. Para se esconder, passa pela Ilha das Cobras, a convite do cerimonial do governo, depois se enfia numa pousada da Ilha do Mel, onde terá um rápido romance com um caiçara interpretado pelo ator paranaense Emílio Pitta. Na verdade, as cenas calientes entre Madonna e Pitta, no interior da humilde hospedaria, se passam no resort cinco estrelas chique Costão do Santinho, em Florianópolis, onde também serão rodadas todas as cenas de ação, como se fosse a Ilha do Mel. De Floripa, Madonna foge num veleiro em direção ao Sul, com os bandidos ao seu encalço pilotando jetskis. Depois de muita ação no mar, envolvendo até o extermínio de baleias-francas, milagrosamente a atriz desembarca num cais, em Canela, interior do Rio Grande do Sul. Na serra gaúcha, Madonna se refugia na casa de campo de Gisele Bündchen. Ali, nos braços do surfista Murilo Benício, que interpretará um guarda-costas surdo-mudo, ela passa alguns momentos tricotando com Bündchen, até ser descoberta pelo inimigos, um bando de terríveis donos de bingos. E o filme vai por aí afora, terminando com Madonna conseguindo realizar seu intento de assassinar o produtor Luiz Carlos Barreto e toda sua família de cineastas, num cassino do Uruguai. Rolam os créditos, com Caetano Veloso cantando La Cucaracha. Francamente, será um filmão.

ALIÁS, estava o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Popp posto em sossego no sagrado recinto do seu lar, quando bate o telefone. Era o neocuritibano Francis Ford Coppola:

– Mister Popp, como faço para levar para casa algumas mudas de araucária?

Mister Popp, que além do inglês desempenha outras três línguas, cortou o barato do plantador de pinheiros:

– Sinto, mister Coppola, mas transportar mudas de Araucaria angustifolia para os Estados Unidos talvez seja mais complicado do que levar imigrantes clandestinos na bagagem. Se não passar por uma gigantesca burocracia, também não passa pela alfândega americana.

– Mas, tem um porém, mister Popp: não vou levar as mudas de araucária para os Estados Unidos, mas sim para Belize, na América Central.

– Para Belize, mister Coppola, presumo que o senhor possa levar até mudas de Cannabis sativa.

Claro, o diálogo não foi exatamente este, mas é exato que num futuro remoto algum navegante distraído poderá cruzar com uma selva de araucárias na costa do Caribe.

Até domingo e, se Coppola pra você também chega, deixo avisado que o assunto será soja.

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