Adivinhe quem vem para o jantar?

Valério Fabris veio nos visitar. Por onde passa, só arrasta coisa boa. Capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, o jornalista Valério Fabris é um ser gregário. Gregário é quem vive em bando, mas ele prefere a caterva. A caterva, como se diz em Curitiba, é também chamada em outros lugares de malta, corja, matula, mamparra, manada.

Valério Fabris tem endereço em Minas Gerais e a caterva se espalha pelo Brasil, onde ele tem mapeado um milhão de amigos, porque essa gente de Cachoeiro só isso quer da vida: ter um milhão de amigos.

Cidadão honorário e aclamado de Belo Horizonte, é como se fosse cidadão benemérito de Brasília, Florianópolis ou Curitiba, capitais onde deixou esparramar sua generosidade e competência profissional de ex-repórter especial da revista Veja e ex-chefe das sucursais da Gazeta Mercantil no Paraná e Santa Catarina. Empresários, políticos, arquitetos, artistas, jornalistas principalmente, essa é a caterva de Valério.

O cronista Luiz Geraldo Mazza sabe do que Valério Fabris é capaz: certa vez, o comentarista da CBN foi convidado para uma festa; e não era uma festa qualquer: era o Baile do Mazza. Assim, com iniciais maiúsculas, porque o baile se tornou festa anual. Seguiu o Baile do Mercer, o Baile do Lachini, coisas do Valério Fabris. Com grandes orquestras, na Sociedade Garibaldi ou no Clube Concórdia, ceia da meia-noite, café da manhã para os últimos que eram sempre os primeiros a chegar. Mais que um ser gregário, Valério Fabris é o agregador do impossível: no Baile do Mazza, até os desafetos do polêmico jornalista vestiram a fatiota da caterva.

Valério gosta de soltar o foguete e buscar a varinha. No Baile do Mercer, escalou Ernani Buchmann para produzir e gravar em estúdio uma fita com as composições do falecido Sérgio Mercer, bandeonista imaginário, compositor e publicitário. A varinha desse sonoro foguete foi parar no Bamerindus e Sérgio Reis foi quem segurou.

O tempo passa, o tempo voa, e Valério Fabris foi soltar foguetes em Florianópolis. Chegou, viu e foi dar um bordejo no Mercado Público, onde conheceu o Beto, um ex-dono de posto de gasolina que recém tinha trocado o comércio de álcool anidro pelo álcool etílico. Virou freguês daquele boteco rodeado de peixes por todos os lados.

– Beto, por que não servir champagne francês com ostras, as iguarias nativas, camarão com catupiry, pastel com 100 gramas de camarão, bolinho de bacalhau, carpaccio, vieiras no vapor com manteiga de ervas, vinho francês, uisquinho doze anos, cachaças mineiras e catarinas de primeira linha…

– Valerinho, aqui no Box 32 você manda!

Beto Barreiros mandou ver e Valério Fabris também. Em poucas semanas Florianópolis viu nascer um novo e charmoso Box 32 na imprensa nacional. Coisas do Valério e sua caterva de jornalistas pelo Brasil afora. Página na revista 4 Rodas, dica no Pasquim, reportagem no Jornal do Brasil, Jornal de Brasília, destaque no Estadão, Jornal da Tarde, O Globo, capa nos suplementos de turismo, a Gazeta Mercantil apenas faltou elogiar o Box 32 em editorial. Só não deu no New York Times.

Mas não foi por falta de desejo do Beto. Com o Box 32 feito referência de Floripa, certo fim de ano Beto Barreiros convidou Fabris para um almoço em sua residência na Lagoa da Conceição. Em meio a uma tainha escalada, o manezinho fez um pedido que vinha ensaiando faz tempo:

– Valerinho, sabe o Sérgio Reis, do Bamerindus, num tem? Será que custava falar com ele pra botar esse teu compadre como personagem do ?Gente que faz?, abrindo o Jornal Nacional no sábado de Carnaval?

O Bamerindus infelizmente se foi, Sérgio Reis foi cuidar da vida, Beto Barreiros, um manezinho que faz, não saiu na abertura do Jornal Nacional e o Valério Fabris foi para Belo Horizonte, onde o filho Bernardo se tornou um saxofonista de raro brilho.

Na próxima sexta-feira a caterva vai jantar com Valério Fabris. Vamos para celebrar um magnífico ajuntamento de amigos. 

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