Disse-o bem quem disse que a postura do Zeca Pagodinho não é ética, é etílica. Ao leiloar o fígado e quebrar um contrato, Pagodinho se insere também no cenário da política nacional, por uma certa semelhança com o caso do companheiro Lula. Ambos eleitos, prometeram beber de uma só fonte. Pagodinho jogou fora o contrato da Schin e foi bebemorar com a Brahma. Lula quebrou o contrato com o PT e foi tomar cerveja com champagne no FMI. Lula, FMI e cerveja com champagne, um bizarro coquetel.
Dois ídolos populares, Lula e Pagodinho se parecem. Mas as semelhanças param por aí. Pagodinho jura que só gosta de Brahma e Lula, que toma todas, desconfia que a cerveja com champagne do FMI não caiu muito bem no gosto do brasileiro. Mas, mesmo assim, ele engole o estranho coquetel, se é para a felicidade geral da nação e da banca internacional.
Cerveja com champagne é uma bizarra combinação. Mas há quem beba. Noite dessas, estava um botequim em fim de expediente, com mesas, cadeiras e engradados recolhidos, restando dois últimos fregueses. Tomavam a décima segunda saideira, assistidos por um garçom sonolento que passava o pano no balcão, em movimentos lentos e intermináveis.
– Garçom, mais uma última! – repetiram os bêbados, para desconsolo do pobre servente.
Quando a última das últimas estava sendo servida, o som de um tropel no meio da madrugada foi crescendo – pocotó, pocotó, pocotó… – e eis que um cavalo baio adentra o botequim. Já grogues, os dois bêbados retardatários adernaram na mesa quando o cavalo baio marchou em direção ao garçom, botou as duas patas no balcão e ordenou:
– Garçom, um balde! – Veio o balde.
– Garçom, bota aí duas garrafas de cerveja – O garçom entornou as duas garrafas de cerveja no balde.
– Garçom, agora serve duas garrafas de champagne! – O garçom entornou aos dois champagnes no balde, misturando com as cervejas.
Observado pelos dois incrédulos bêbados, o cavalo baio firmou o balde com duas patas e – glub, glub, glub – bebeu o estranho coquetel num gole só. Bebeu de se babar. E mandou repetir a dose.
Os dois bêbados se entreolhavam espantados e o garçom tremia feito vara verde. Finalmente, o cavalo baio limpou a baba com a pata esquerda, deu um poderoso relincho e disparou pela madrugada – pocotó, pocotó, pocotó….
No interior do botequim restaram o garçom, os dois bêbados com os olhos vidrados de espanto e um silêncio cavernoso.
Minutos, ou séculos depois, um bêbado pergunta para o outro:
– Você já viu coisa igual?
– Jamais! Cerveja com champagne, jamais!
LITERATURA INFANTIL
Uma mãe e um bebê camelo estavam por ali, à toa, quando de repente o bebê camelo perguntou:
– Mãe, posso te perguntar umas coisas?
– Claro! O que está incomodando o meu filhote?
– Por que os camelos têm corcova?
– Bem, meu filhinho, não somos animais do deserto, precisamos das corcovas para reservar água e por isso mesmo somos conhecidos por sobreviver sem água.
– Certo. E por que nossas pernas são longas e nossas patas arredondadas?
– Filho, certamente elas são assim para permitir caminhar no deserto. Sabe, com essas pernas eu posso me movimentar pelo deserto melhor do que qualquer um! – disse a mãe, toda orgulhosa.
– Certo! Então por que nossos cílios são tão longos? De vez em quando eles atrapalham minha visão.
– Meu filho! Esses cílios longos e grossos são como uma capa protetora para os olhos. Eles ajudam na proteção dos seus olhos quando atingidos pela areia e pelo vento do deserto! – disse a mãe com orgulho nos olhos.
– Então a corcova é para armazenar água enquanto cruzamos o deserto, as pernas para caminhar através do deserto e os cílios são para proteger meus olhos do deserto. Então o que estamos fazendo aqui no zoológico?
Até quarta-feira; e eis a moral da história: habilidade, conhecimento, capacidade e experiência são úteis se você estiver no lugar certo.