No próximo Carnaval, os desfiles das escolas de samba de Curitiba serão realizados no Bairro Novo, longe do centro e bem distante dos que pregam a extinção pura e simples do carnaval de Curitiba.
Uma notícia do balacobaco para o publicitário Ernani Buchmann, líder do animado bloco dos que imaginam o Carnaval de Curitiba longe dos olhos e ouvidos, o mais distante possível da Cidade sorriso: no próximo Carnaval, o desfile oficial das escolas de samba da capital será realizado na zona Sul de Curitiba, adiante da Cidade Industrial.
A transposição da folia deve causar polêmica, mas vai agradar, e muito, a vizinhança do Centro Cívico e os foliões do Bairro Novo, que agora serão vizinhos de cerca do Rei Momo. A Zona do Sul de Curitiba é uma das regiões mais populosas da cidade e, em tese, nossos carnavalescos não devem protestar pela mudança de endereço. Qualquer passarela que não seja o desanimado Centro Cívico, é de bom tamanho.
Já dizia o sambista, ?todo artista deve estar onde o povo está?. Nesse sentido, a iniciativa da Prefeitura encontra apoio no publicitário Ernani Buchmann. Há 25 anos ele tem botado a cara para bater, tem defendido a tese de acabar com o Carnaval em Curitiba. E que isso fique registrado em cartório, porque há pouco tempo o diretor de teatro Felipe Hirsch esteve no programa do Jô e, como se fosse grande novidade, requereu a paternidade da idéia. Sem ser radical, Ernani Buchmann não quer a extinção, o aniquilamento total, puro e simples de algo que se julgue parecido com uma escola de samba. É incontestável que o Carnaval de Curitiba restou para a periferia – lembra Ernani -, os ?sem apartamento na praia?, os desafortunados que no carnaval não contam com ?recursos contabilizados? para sair da cidade, comprar uma fantasia da Mangueira ou ?soltar a franga? no camarote baiano do ministro Gilberto Gil. A classe média desce a serra, em busca de sol, mar, suor, trio elétrico e cachaça de Morretes.
?Uma cidade livre do carnaval e da aftosa?, poderá proclamar a facção que deseja ver o samba pra lá do fim do mundo. É uma gente ?doente do pé? e ?ruim da cabeça?, respondem no mesmo tom os que ainda guardam saudades dos bons tempos, quando as escolas desfilavam em uma avenida de fato, em plena Marechal Deodoro, e não naqueles confins do Centro Cívico.
Nosso Carnaval já teve seus dias de glória. Nos tempos do Chocolate, do Afunfa, do mestre Maé, Fernando Lamarão, do Rei Momo Bola, a Gilda rodando a baiana na Boca Maldita, quando tínhamos uma escola de samba que era de nome um contrasenso: ?Não Agite?.
Nos últimos anos, porém, o mais divertido do Carnaval curitibano tem sido a polêmica iniciada por Ernani Buchmann: acabar ou não acabar com o Carnaval. Sinal dos tempos, a questão até mereceria um referendo. Sim ou não, o Rei Momo é figura ?non grata? em Curitiba?
Com os desfiles no Bairro Novo, a tese de Ernani não será plenamente contemplada, mas se aproxima disto. No compasso deste samba, nossas cabrochas vão parar alhures: Fazenda Rio Grande, Contenda, Quitandinha, do Campo do Tenente ao centro Histórico da Lapa é um pulinho.
De minha parte, prego uma tese parecida, porém mais radical: que se mude o Carnaval bem além do Bairro Novo. De Curitiba para Antonina. No estado em que se encontra, minguado e esquelético, o desfile não pode continuar: nós curitibanos estamos correndo o risco de desmoralizar essa instituição que é o Carnaval brasileiro. E se para melhorar precisa mudar, vamos mudar para Antonina, de vez.
Por que Antonina? Porque a folia capelense há muito causa inveja aos carnavalescos curitibanos, que já têm Antonina como uma segunda passarela. Se no inverno Antonina possui um animado festival de artes, no verão pode perfeitamente hospedar o enjeitado Rei Momo curitibano.