A santa felicidade das mães

A mais antiga origem da comemoração do Dia das Mães vem da mitologia grega, em honra de Rhea, a Mãe das Deusas. No Brasil, o Dia das Mães tem origem nos italianos de Santa Felicidade, em 1821. A história de que o Dia das Mães foi criado pelos proprietários de restaurantes italianos de Santa Felicidade faz sentido, veio à luz com um documento encontrado recentemente dentro de uma velha pipa de vinho.

Oficialmente, o Dia das Mães brasileiro foi criado em 1932, quando o presidente Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Na Inglaterra do século XVII, o quarto domingo da Quaresma, chamado de "Mothering Day", era dedicado às mães das trabalhadoras. Elas ganhavam folga para ficar em casa preparando o "mothering cake", um bolo para as mães que tornaria o dia ainda mais festivo.

Nos Estados Unidos, a escritora Júlia Ward Howe levantou a idéia, em 1872, mas foi outra americana, Ana Jarvis, da Virgínia Ocidental, que iniciou a campanha para instituir o Dia das Mães. Em 1905, Ana Jarvis perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Compadecidas, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana não aceitou a exclusiva homenagem e começou a campanha para que a homenagem fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas. Uma data em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. Durante três anos seguidos, Ana lutou para que o primeiro Dia das Mães fosse celebrado em 26 de abril de 1910, quando o governador William E. Glasscock incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas da Virgínia. Em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), estabeleceu que o Dia Nacional das Mães deveria ser comemorado sempre no segundo domingo de maio. A efeméride no começo do mês – curiosamente quando os trabalhadores ainda contam com algum pouco do salário no bolso – se espalhou pelo mundo, não sem antes a própria Ana Jarvis advertir: "Não criei o dia das mães para ter lucro".

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Dentro de uma velha pipa de vinho, abandonada no porão de uma velha casa colonial, foi encontrado recentemente o diário de um anarquista italiano, oriundo da Colônia Cecília. No corroído caderno de anotações, quatro páginas são dedicadas à memória das primeiras famílias italianas que chegaram à região do bairro curitibano que se chamava Boteatuba e tinha a velha ponte sobre o Rio Barahy (Barigüi) a lhe fazer divisa com Curitiba.

As terras foram compradas da senhora Felicidade Borges, depois de muita negociação com funcionários do governo. A negociação foi facilitada quando dona Felicidade, muito sábia, não deixou mais o governo intermediar o negócio e os colonos compraram as terras sem pagar nenhuma propina. Os imigrantes não colaboraram com o "caixa 2", que já era de praxe, e o justo preço originou no coração dos colonos uma "santa felicidade" – diz o manuscrito.

A idéia da criação do Dia das Mães, conta o diário, surgiu quando da passagem de Auguste de Saint-Hilaire pela colônia, em 1820. O botânico francês ficou impressionado com a farta mesa que lhe foi servida: polenta frita, macarrão com vários molhos, radice, galinha ensopada, passarinhos fritos e queijos. Só o vinho não era lá nenhuma maravilha. A vocação gastronômica do arrabalde de "Boteatuba", depois Santa Felicidade, não passou despercebida por Auguste de Saint-Hilaire, que então vaticinou:

"Com a minha experiência de botânico, posso afirmar que com essas terras aqui de Boteatuba ninguém vai fazer fortuna e o vinho vocês vão ter que trazer da Serra Gaúcha. De outra forma, vislumbro um grande futuro para albergues que forneçam polenta, queijo e frango aos viajantes dos Campos Gerais. Além disso, e para aumentar os negócios – disse Saint-Hilaire -sugiro criar aqui também o Dia das Mães, a exemplo dos Estados Unidos. Todo santo segundo domingo de maio, esse lugar vai ficar entupido de gente e vocês vão rachar de ganhar dinheiro".

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