Ao eleitor ainda indeciso em escolher o próximo prefeito, na dúvida entre o candidato de piores virtudes e o de melhores defeitos, três estudiosos ingleses elaboraram uma equação para provar a Lei de Murphy, uma teoria segundo a qual “se alguma coisa pode dar errado, isso vai acontecer”.
Todos analistas políticos afirmam que vence uma eleição quem errar menos. E, especialmente em Curitiba, onde as pesquisas apontam empate técnico, a Lei de Murphy pode ser um fator de desequilíbrio. Nenhum dos candidatos está pessimista. Mas, a partir de agora, até mesmo o mais incurável dos otimistas deverá render-se à evidência de que a Lei de Murphy não só existe, como está pronta para acontecer a qualquer momento. Isto está demonstrado, com certeza matemática, nesta fórmula elaborada por um economista, um psicólogo e um matemático da Inglaterra.
((U+C+I) x (10-H))/20 x E x 1/(1-sen(F/10)).
Esta equação, mais que demonstrar a Lei de Murphy, amplamente verificada por meios experimentais, é uma fórmula que permite prever a ocorrência de um sinistro grave e quando ele vai acontecer. E põe em evidência, além disso, um componente até agora quase sempre negligenciado: os acontecimentos não somente irão mal, mas acontecerão no momento mais inoportuno.
As variáveis a se levar em conta, para se prevenir contra os nefastos efeitos da infalível regra, são cinco:
U está para Urgência / C para Complexidade / I para Importância / H para Habilidade / F para Freqüência
Para cada uma, é preciso estabelecer um valor entre 0 e 9. Uma sexta variável ? E para Exasperação ? foi definida em 0,7 pelos estudiosos, com base na observação empírica. Com as contas feitas, obtém-se um coeficiente de probabilidade entre 0 e 8,6: quanto mais alto é este valor, mais o azar está para acontecer. Ou o azar está pronto para agir, ou tem maior chance de ocorrer.
Para reduzir os efeitos da Lei de Murphy, é preciso trabalhar os elementos da equação, explica o Dr. Davis Lewis, o psicólogo do grupo. “Portanto, se não se possuem as habilidades para fazer qualquer coisa de importante, melhor deixar para lá. Se uma coisa é urgente ou complexa, é preciso encontrar um modo simples de fazê-la.” Traduzido para termos práticos, explica Lewis, é muito provável que se derrube uma bebida sobre a própria camiseta, antes de um encontro, porque, na urgência de decidir que roupa vestir, a pessoa não se concentra sobre o ato de beber. Ou, então, caso se deva mandar um e-mail muito importante, a ânsia pode levar a apertar uma tecla por outra, bloqueando o computador ou cancelando os dados. “Não há como fazer o computador entender quando se tem pressa.”
O estudo foi financiado pela British Gas, empresa fornecedora de gás doméstico, que baseia exatamente sobre a Lei de Murphy a sua mais recente campanha publicitária: “Se alguma coisa pode dar errado, isto acontecerá, e no momento mais inconveniente”, afirmam os comerciais transmitidos pela companhia de gás, nos quais se vêem aquecedores de água enguiçados no meio da neve, casas alagadas no meio da noite, ou canos que explodem durante os preparativos de um casamento. “É por isso que nossa assistência funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano”, finalizam as peças publicitárias.
Do time que elaborou a equação, fazem parte, além do doutor Lewis, o matemático Philip Obadya e Keelan Leyser, um estranho tipo de economista, que diz ser descendente de Karl Marx, conferencista de grandes audiências, onde mistura economia, psicologia e jogos de prestígio.
Longe de ser uma ficção científica, portanto, a teoria dos estudiosos ingleses – versão técnica do ministério do Vai dar Merda, de Chico Buarque de Holanda – foi publicada na imprensa européia e pode ser encontrada na edição on-line do jornal italiano La Repubblica, numa reportagem do jornalista Alessio Balbi.
Até sexta-feira; e, antes de escolher o prefeito, aplique no candidato a equação da Lei de Murphy. É tiro e queda.