Nos tribunais, os taquígrafos não perdem tempo. Enquanto promotoria e defesa travam uma batalha verbal em frente ao senhor juiz, eles registram tudo, inclusive os diálogos que se transformam em antológicas piadas. Como estas registradas no livro “Desordem no Tribunal”, transcritas textualmente pelos taquígrafos que, além de atentos, são obrigados a permanecer na maior discrição, enquanto verdadeiras comédias aconteciam no tribunal. A justiça é cega, mas deve ter rolado de rir com o que se ouviu.

Pergunta: Qual é a data do seu nascimento?

Resposta: 15 de julho.

P: Que ano?

R: Todo ano.

P: Essa doença, a miastenia gravis, afeta sua memória?

R: Sim.

P: E de que modo ela afeta sua memória?

R: Eu esqueço das coisas.

P: Você esquece… Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?

P: Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou naquela manhã?

R: Ele disse, “Onde estou, Betty?”

P: E por que você se aborreceu?

R: Meu nome é Susan.

P: Seu filho mais novo, o de 20 anos…

R: Sim.

P: Que idade ele tem?

P: Sobre esta foto sua… o senhor estava presente quando ela foi tirada?

P: Ela tinha 3 filhos, certo?

R: Certo.

P: Quantos eram meninos?

R: Nenhum .

P: E quantas eram meninas?

P: Sr. Wilson, por que acabou seu primeiro casamento?

R: Por morte do cônjuge.

P: E por morte de que cônjuge ele acabou?

P: Poderia descrever o suspeito?

R: Ele tinha estatura mediana e usava barba.

P: E era um homem ou uma mulher?

P: Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas?

R: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas…

P: Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, ok? Que escola você freqüenta?

R: Oral.

P: Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da

vitima?

R: Sim, a autópsia começou às 20h30.

P: E o senhor Dennis já estava morto a essa hora?

R: Não… Ele estava sentado na maca, se perguntando porque eu estava fazendo aquela autópsia nele.

P: Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da vítima?

R: Não.

P: O senhor checou a pressão arterial?

R: Não.

P: O senhor checou a respiração?

R: Não.

P: Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?

R: Não.

P: Como o senhor pode ter essa certeza?

R: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.

P: Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?

R: Sim, é possível que ele estivesse vivo e exercendo Direito em algum

lugar!!

Até sexta-feira, com um beijo pra minha filha Luiza Nascimento Mendonça, desde ontem uma futura advogada.

DANTE MENDONÇA

dantem@pron.com.br

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