Era uma vez um texano chamado Prescott Bush. Na 2.ª Guerra Mundial, Prescott era sócio de uma companhia de petróleo e recebeu punição do governo dos Estados Unidos por negociar combustível com a empresa nazista Luftwaffe. Esperto, após a guerra Prescott se aproximou do poder, para usufruir de imunidade e impunidade: tornou-se íntimo dos irmãos Allen e John Foster Dulles. Este último comandava a CIA por ocasião do assassinato de John Kennedy, em 1963.

A AMIZADE com Dulles, garantiu ao filhote mais velho de Prescott, George H. Bush, o emprego de agente da CIA. George destacou-se como medíocre espião: mesmo assim, em 1961, coordenou a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, para derrubar o regime de Fidel Castro. A invasão fracassou, 1.500 mercenários foram presos e, mais tarde, liberados em troca de US$ 10 milhões em alimentos e remédios para crianças cubanas. Apesar da derrota, George H. Bush caiu para o alto: tornou-se diretor da CIA em 1976.

TRISTE com o mau desempenho de seu primogênito como 007, Prescott Bush consolava-se com o êxito dele nos negócios de petróleo. E aplaudiu a visão do filhote George, quando, em 1960, este tornou-se amigo de um empreiteiro árabe que viajava com freqüência para o Texas: Muhammad Bin Laden. Em 1968, ao sobrevoar os poços de petróleo de Bush, Bin Laden morreu em acidente aéreo, no Texas. Mas George Bush não pranteou a morte do amigo. Andava mais preocupado com as dificuldades escolares de seu filho George W. Bush, que só obtinha média C. Para desgosto da mamãe Bárbara, hoje também conhecida como “a mãe de todas as bombas”.

A GUERRA DO VIETNÃ acirrou-se e, para evitar que o filho fosse convocado, George tratou de alistá-lo na força aérea da Guarda Nacional. A maldita bebida, entretanto, impediu que o neto de Prescott se tornasse um bom piloto. Papai George incentivou-o, então, a fundar, em 1970, sua própria empresa petrolífera: a Arbusto (bush, em inglês) Energy. Graças aos contatos internacionais que o pai mantinha desde os tempos da CIA, George filho buscou os investimentos de Khaled Bin Mafouz e Salem Bin Laden, o mais velho dos 52 filhos gerados pelo falecido Muhammad. Mafouz era banqueiro da família real saudita e casara com uma das irmãs de Salem. Esses vínculos familiares permitiram que Mafouz se tornasse o presidente da Blessed Relief, a ONG árabe na qual trabalhava um dos irmãos de Salem, um tal de Osama Bin Laden.

NA BANCARROTA, a Arbusto pediu concordata e renasceu com o nome de Bush Exploration e, mais tarde, Spectrum 7. Tais mudanças foram suficientes para impedir que a falência ameaçasse o jovem George W. Bush. Salem Bin Laden, fiel aos laços de família, veio em socorro do amigo, comprando US$ 600 mil em ações da Herken Energy, que assumiu o controle da Spectrum 7. As coisas melhoraram para o neto do velho Rescott, que logo embolsou US$ 1 milhão e obteve um contrato com o emirado de Bahrein, que deixou a Esso morrendo de inveja. Em dezembro de 1979, George H. Bush viajou para Paris para um encontro entre republicanos e partidários moderados de Khomeini, no qual trataram da libertação dos 64 reféns norte-americanos seqüestrados, em novembro, na Embaixada dos Estados Unidos em Teerã. Buscava-se evitar que o presidente Jimmy Carter se valesse do episódio a ponto de prejudicar as pretensões presidenciais de Ronald Reagan. Papai George fez o percurso até a capital francesa a bordo do jatinho de Salem Bin Laden, que lhe facilitava o contato com o mundo islâmico. Em 1988, Salem faleceu, como o pai, num desastre de avião.

O AFEGANISTÃO foi invadido pelos soviéticos naquele mesmo ano. Papai George, que coordenava operações da CIA, recorreu a Osama Bin Laden, um dos irmãos de Salem, que aceitou infiltrar-se no Afeganistão para, monitorado pela agência de inteligência, fortalecer a resistência afegã contra os invasores comunistas.

Até domingo e, se interessar possa, os dados acima são do analista italiano Francesco Piccioni. Mais detalhes no livro “A Fortunate Son: George W. Bush and the Making of an American President”, de Steve Hatfield.)

continua após a publicidade

continua após a publicidade