Ao contrário da maioria aqui na Redação, confesso que achei o debate entre candidatos a governador, na Bandeirantes, uma diversão, a coisa mais querida, como dizem os catarinas. Certo, duas horas e pouco de falatório não fez nenhum deles sair da emissora do Pilarzinho direto para o Centro Cívico. Mas deu pra sentir o pulso da rapaziada e anotar algumas considerações sem a menor importância:

Álvaro Dias tem uma equipe de produção que bem merece um puxão de orelha. Aquele paletó preto ou azul escurão – do candidato, o que é aquilo? Bem que podia ser doado para um adversário qualquer: parecia estar impregnado de caspa. E caspa, cá entre nós, não é coisa que a dona Débora iria permitir. Quando lembrado das professorinhas, fez a cara mais querida!

Giovani Gionédis, olhando bem, está no partido errado: pelo visual, tem o feitio de um pastor evangélico, a coisa mais querida. Se numa outra eleição, ou encarnação, ele sair candidato pelo PL, partido do vice do Lula, vai para o segundo turno sem sair do Alto da Glória, louvando a Deus.

Beto Richa. Bem, o Beto Richa é a coisa mais querida! Quem pensa que o filho do velho Zé Richa ficou preso no elevador, ainda acaba sendo engolido por uma turbina de Itaipu. Vai que no horário gratuito da tevê a Cila Schulmann dá um banho de loja na figura, umas roupinhas italianas, capricha no penteado, bota um fundinho musical que atenda os anseios da população e pode crer: o garoto vira o bicho. Capaz de tirar pra dançar o eleitorado do Álvaro.

Êpa! Aí em cima saiu escrito horário gratuito da tevê? Se saiu, esquece: com os custos desse tal horário gratuito, de minha parte comprava um quarto-e-sala em Paris.

Roberto Requião é o velho John Wayne de sempre. Pode fazer o papel de bandido, mocinho, xerife, dono de saloon, até coveiro em Dodge City. Não importa o papel, continua sendo o velho John Wayne. Rápido no gatilho, com ele não tem bala perdida. Quando a cena exige, é fazer chorar a platéia, carregando nos braços a mocinha. Domingo passado, no papel de mocinho, estava a coisa mais querida! Dona Maristela já está costurando um vestido novo para o segundo turno.

Padre Roque, a sua bênção: no debate de domingo passado, Jaime Lerner não esperava contar com um cabo-eleitoral mais eficiente. Primeiro, explicando a Lei de Responsabilidade Fiscal, justificou o governo estadual pelo salário engessado dos professores. A lei não permite, segundo o neogovernista. Abre ou não abre a Estrada do Colono? Padre Roque mais uma vez tirou Jaime Lerner do atoleiro: o governo federal é que não permite a reabertura. O sacerdote ainda chega ao Palácio Iguaçu, mas na condição de capelão do atual governo. Outra coisa: o sotaque ítalo-gauchesco-eclesiástico dele é a coisa mais querida!

Rubens Bueno foi bem sincero quando agradeceu e parabenizou os organizadores do debate. Sinceramente, com os segundinhos de tevê que vai ter na campanha, ele devia bater o pé e exigir um debate por semana, ao vivo e em cores. Até porque, na opinião geral, ele leva jeito nos quesitos DNA e gravidez precoce. Discorrendo sobre os dois assuntos, foi a coisa mais querida!

Severino, ô cabra macho! Assim, sem maquiagem na cara, entregou na maior: Caixa Dois é o feijão com arroz da cesta básica de qualquer candidato no Brasil. E no mundo, faltou dizer o Severino, que também é Araújo. Tamanha franqueza até não causou nenhuma surpresa para a platéia presente. Com exceção do jornalista perguntador: surpreso com a banalização de tamanho crime eleitoral, o periodista fez caras e bocas, a coisa mais querida!

No final do desfile fashion para a temporada eleitoral, um inesperado desculpe a nossa falha técnica da emissora matou nossa saudade do tempo em que a televisão era movida à lenha e se amarravam os microfones com lingüiça.

Até sexta-feira, Zé Wille, valeu! Especialmente pela participação do Neguinho Pessoa: quando ele lembrou dos 12 apóstolos e dos 12 trabalhos de Hércules, foi a coisa mais querida!

continua após a publicidade

continua após a publicidade