Em Santa Catarina, o peemedebista Luiz Henrique da Silveira não só detonou o até então imbatível governador Esperidião Amin, como também deflagrou uma provinciana e adormecida batalha entre Joinville e Florianópolis. O Fritz contra o mané.

Luiz Henrique, ex-prefeito de Joinville, saiu das urnas com uma consagradora votação dos joinvilenses, exibindo 76,79% dos votos válidos no maior colégio eleitoral catarinense (290.439 eleitores). Na marcha das apurações, com 85% dos votos apurados em todo o Estado, Amin despontava como o vencedor de sempre. Mas – pra desgraça do careca mais famoso do Brasil -, abertas as urnas de Joinville, babau Esperidião Amim. E babau a hegemonia política dos manezinhos de Floripa. Foi a derrocada da ilha.

Pra melhor ilustrar, Luiz Henrique foi o boxeador que apanhou do primeiro ao décimo assalto. No décimo primeiro, conseguiu se erguer das cordas. No décimo segundo assalto – catapum! -, fulminou o adversário num só murro. O murro dos joinvilenses.

Proclamado vencedor, Luiz Henrique deu as devidas entrevistas de praxe, arrumou a frasqueira e foi descansar da refrega. E adivinha onde foi desfilar de sandália e bermudão? Em Florianópolis, obviamente.

Enquanto isso, o jornalista Cacau Menezes, ilhéu e manezinho da cepa, desprevenidamente comenta para sua grande audiência televisiva que um único problema atormenta os futuros donos do poder: morar em Florianópolis, uma cidade da qual a maioria dos joinvilenses não gosta muito.

Foi o estopim para deflagrar uma antiga e velada rivalidade. No dia seguinte, o joinvilense Leonardo Friedman (leonardo@kavo.com.br) propaga pela internet um manifesto contra Cacau Menezes, que, na opinião dele, teria dito que o povo de Joinville somente elegeu o Luiz Henrique como governador porque odeia Florianópolis.

O manifesto, intitulado Plano 15 – numa referência ao programa de governo do peemedebista Luiz Henrique – é uma declaração de guerra aos manezinhos da ilha:

– Trazer a capital do Estado para Joinville.

– Construir um estádio de futebol para o JEC do estilo arena multiuso duas vezes maior que o Maracanã.

– Desapropriar Florianópolis como área improdutiva.

– Transformar Florianópolis num campo de treinamento militar, usando manezinhos como alvos móveis.

– Construir um grande cercado ao redor da Ilha e encher de tubarões famintos.

– Derrubar as pontes Pedro Ivo Campos, Colombo Salles e Hercílio Luz e deixar os florianopolitanos isolados do resto do Estado e jogar sardinhas em lata duas vezes ao dia para alimentá-los (afinal, não queremos que os “alvos” morram de fome).

– Quando acabar os alvos móveis, transferir o Beto Carrero World para Floripa.

Ato seguinte, o colunista Cacau Menezes confirma a declaração – Estou mentindo? – e publica um e-mail de uma leitora, como que acenando com uma bandeira branca:

– “Na terça-feira você falou que os joinvilenses, na sua maioria, não gostam de Floripa. Não concordo, só vejo pessoas falando da beleza, boa gastronomia e, principalmente, do astral de vocês. Nos orgulha muito ter uma capital como Floripa. Beijos da sua fã, Ana Carolina – Joinville”.

Com certeza essa guerra recém-deflagrada deve ter mais embates nos próximos dias, rompendo com um antigo armistício entre Joinville, Blumenau e Florianópolis. O armistício, também conhecido com o “Tratado do Rio do Peixe”, tinha as seguintes cláusulas:

1 – O título de campeão catarinense da primeira divisão ficaria sempre com uma equipe de Joinville, o JEC.

2 – Blumenau venceria todas as edições dos Jogos Abertos de Santa Catarina.

3 – Em compensação, toda arrecadação de ICMS de Joinville e Blumenau iria para os cofres de Florianópolis, para gáudio dos manezinhos.

Até domingo, e aguardem as próximas cenas de batalha.

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