Escrever salva. A mim e a você. É por isso há tanto coach psicólogo, médico, vidente e até mesmo minha mãe (que tinha por hábito colocar no papel o que esperava para o ano vindouro) dizendo por aí para escrever. E salva não porque nos tira do centro, mas porque nos devolve.
Quando escrevemos, as palavras fazem o que o silêncio às vezes não consegue: organiza o caos, acolhe o excesso, nomeia. É uma forma de respiração profunda dessas que a gente esquece de fazer no dia a dia. No papel, ninguém precisa fingir força, tampouco esconder a bela fragilidade. Pode ser inteireza. E talvez por isso, todo fim e começo de ano me pedem a escrita dos desejos como quem acende pequenas luzes no caminho – tradição vinda de família. Sabe como é, né?!
Meu primeiro desejo para 2026 é amor incondicional antes de tudo, a mim. Às minhas prioridades, ao que é essencial para fazer a vida vibrar. Desejo dar espaço ao novo, mesmo que ele desorganize certezas antigas. Abrir esse coração para que em verdade e cuidado, sem exigir encaixes impossíveis, eu possa de repente ser de novo sem que eu me molde onde não caibo. Quero rir das coisas mais bobas do universo, porque sei que – dentro dessa risada solta, a calma acontece – quase sem aviso.
Escolhas que nos escolhem: das silenciosas às grandiosas
Desejo também que todas as músicas que o coração precisa sejam tocadas. Ah, a música! Como alguém pode viver sem? Peço que o barulho do mundo diminua quando for demais, e que eu aprenda, como em Enjoy the Silence – que as palavras nem sempre salvam – às vezes elas só confundem o que o sentir já entendeu. Que o silêncio seja abrigo, não distância. E que, assim como em Silent Lucidity, eu confie no que vem de dentro, permitindo que a alma encontre serenidade mesmo quando o caminho ainda está se desenhando.
Essas músicas falam de um encontro raro: aquele em que não é preciso muito ou explicar tudo. Enquanto Depeche Mode é quase um pedido para que a presença seja suficiente, sem discursos longos, apenas um sentir junto e entender que há sentimentos que só sobrevivem quando não são apertados demais pelas palavras… Queensryche fala da clareza que nasce quando a gente confia e sorri – com o outro, na vida… Diz do possível: é sobre ver além do medo e do ruído. São canções que falam em dividir silêncios confortáveis consigo mesmo ou alguém especial. Um permitir que o vínculo seja espaço e não prisão. Um estar sem máscaras, sem pressa, com respeito pelo tempo e a construção. Se não as ouviu ainda, apenas ouça de peito aberto.
Também quero cuidar da saúde de um jeito bonito, sem rigidez ou culpa – como quem rega uma planta com constância, atenção. Escutar o corpo quando pedir pausa, movimento ou descanso. Tratar não como obrigação, mas gesto cotidiano de amor, desses que sustentam tudo sem fazer alarde.
Ah, como desejo parar para olhar, respirar, perceber o tempo passando sem tentar segurá-lo! Ver o sol atravessar a pele, a água lavando a pressa, a natureza insistindo em acontecer. Observar as crianças que sabem mais sobre o presente do que qualquer manual da vida – e aprender a viver com elas. Parar para saber mais de mim, do outro, do que acontece enquanto desacelero.
Quero aprender algo novo, não importa exatamente o que – desde que me desafie e encante como quem aceita ser iniciante, errar sem vergonha, descobrir mundos inteiros em pequenas tentativas, pois aprender é manter o espírito desperto, curioso e vivo. Desejo também trabalhar com dedicação, colocar sentido no que faço, lembrando que o trabalho também pode ser expressão de cuidado, entrega e propósito – e não apenas sobrevivência.
E, por fim, desejo me entregar à vida como ela é, aos encontros possíveis, às mudanças inevitáveis, às alegrias e aos medos que caminham juntos. Com honestidade, por escolha, nunca obrigação. Com leveza suficiente para não transformar o afeto em peso e coragem para oferecer sem julgamentos – nem aos outros, nem a mim.
Que o novo venha! Com silêncio quando for preciso, com riso fácil, presença inteira…. Sem prometer mais do que pode oferecer, mas disposto a ficar. Talvez seja exatamente assim que o próximo capítulo comece. Para mim ou qualquer pessoa que deseje intensamente coisas simples e cotidianas assim, a cada virada dos 365 dias.
P.S.: simples, mas é tanto! Rir das coisas bobas e amar sem fim (a mim mesma primeiro!) já me parece um ótimo começo de ano. Que seja leve e feliz!
