Posso dançar contigo?

O conhecer não se apresenta de uma só vez. A vida não vem com manual de instruções para que a gente possa saber exatamente o que fazer. Ela se deixa descobrir aos pouquinhos – há fases em que tudo parece óbvio, iluminado e fica fácil de respirar. Outras fases, no entanto, surgem nos horários mais improváveis, e de madrugada, entre uma notícia difícil e um silêncio que pesa – algumas novas descobertas insistem em nascer.

Descobrir que uma pequena conquista não será ausência de dor, mas a capacidade de atravessá-la com a ternura possível no momento, que viver com leveza sem ignorar o peso das coisas pode ser mais fácil do que parecia, que carregar o caminho sem endurecer o coração para quem é de verdade – não exige esforço. Há um conforto quieto quando entendemos que nem tudo precisa ser resolvido no já.

Alguns nós se desfazem com o tempo, outros no poder do afeto, e ainda – alguns apenas com a aceitação de que fizemos o melhor que poderíamos ter feito. Nesse percurso, o amor ganha novas formas. Assim como existe o romântico, intenso e cheio de promessas – há o transcendente daquela amizade que nasce da reciprocidade do primeiro instante e é cultivada em lealdade. Não exige explicações – atravessa das nossas versões mais bonitas às mais confusas. Celebra as conquistas, mas também senta na calçada quando não há nada para comemorar, permanece quando a festa acaba, o futuro parece borrado, a casa esvazia e a fé – vacila.

No verão: risadas soltas, planos, encontros, a sensação de que tudo está exatamente onde deveria estar. No inverno: recolhimento, perdas e o levar conosco a dúvida de que a alegria talvez demore um bocadinho a voltar. É curioso perceber que, em ambas as estações, são pessoas que nos salvam sem perceber com uma simples mensagem, um café, um conte comigo na hora certa. Pois o caminho, mesmo quando quebrado, em sua companhia parece poder ser reconstruído de modo mais leve.

Nem sempre da mesma forma, nem sempre no mesmo ritmo. E rezamos que com aprendizados únicos que só serão passíveis depois da queda (fique tranquilo que te estendo a mão!). A gente se reconstrói quando entende que o futuro não é uma ameaça. É uma promessa! Não de perfeição, mas de possibilidade. Um pra frente onde o amor circula, a esperança encontra espaço, se aprende a confiar de novo: na vida, nas pessoas e em nós. Fazendo do carinho verbo cotidiano: pequenos gestos, presença real, verdade compartilhada.

Esse mesmo amor, em algum momento, também se reinventa deixando de ser memória ou expectativa. Vira reencontro em novas histórias, caminhos que se abrem diante dos pés (pois antes não existiam ou não se ousava percorrer). Um estar consciente, disponível, sem pedaços deixados para trás. Um novo amor – seja por si ou alguém que ainda pode chegar lá na frente – precisa nos encontrar inteiros, não perfeitos, mas verdadeiros. Inteiros naquilo que somos e escolhemos curar.

Nesse caminhar, faz diferença contar com quem escolhe caminhar ao nosso lado, respeitando apenas o ser que que mergulha em si. Quem percebe as nuances e acha lindo até as desconhecidas. A vida pede profundidade, mas também companhia (nem que seja a nossa própria, pelo tempo que for preciso)…. E, quando essas duas coisas se encontram, viver volta a fazer sentido. Mas é interessante perceber que independente do movimento das peças nesse jogo de xadrez, posso dançar contigo em qualquer música que tua vida trouxer. Estou aqui.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.