O poder dos sonhos e desejos na construção do futuro

Foto: Crônicas do Imprevisível

Você já reparou na magia humana e singular que está atrelada ao ato de sonhar? Mesmo quando acordados, seguimos sonhando, desejando, querendo, imaginando, desenhando futuros possíveis, caminhos que são construídos silenciosamente em gerúndio (porque a vida acontece no gerúndio) daquilo que nem existe. E por sonharmos acordados e ser essa uma ferramenta poderosa rumo à realização: sonhar grande ou sonhar pequeno se faz no mesmo esforço do imaginar. A diferença mora apenas no tamanho do horizonte.

Somnium vem do latim e significa aquilo que se apresenta ao espírito durante a vigília, o que é desejo, visão e aspiração. Por origem, não se trata de um fenômeno noturno, e sim um movimento da alma em busca do que ainda não aconteceu. Sonhos eram vistos como mensagens que atravessavam mundos. Entre deuses e humanos, na mitologia grega, Morfeu (filho de Hipnos) era responsável por os moldar – podendo assumir qualquer forma humana dentro dos mesmos para transmitir mensagens ou presságios,enquanto outros deuses guiavam pesadelos e objetos impossíveis. Acreditavam os antigos que sonhar era uma forma de contato com outras dimensões da existência.

Na filosofia, os sonhos também provocaram curiosidade e reflexão (tomados como experiências oníricas que questionavam a realidade, desde vontades que a razão normalmente controla e poderiam emergir livremente) aos ecos da experiência de Aristóteles, que por sua vez, vibravam na mente. Durante séculos filósofos se debruçaram na ideia de que estávamos todos sempre um pouco sonhando, mesmo quando acreditávamos estar plenamente despertos.

Na psicanálise, os sonhos ganharam um papel central na compreensão da vida psíquica com Sigmund Freud que os chamou de “via régia para o inconsciente”, acreditando que eles revelam o que não aparece à luz do dia. Já no espiritismo, eles podem representar momentos em que o espírito (parcialmente liberto do corpo) entra em contato com outras realidades espirituais, e assim, seria essa não apenas uma produção da mente, mas também a experiência do espírito em movimento.

Junte todas essas teorias e dê ao sonho o signifcado mais bonito, o aspecto que não se encontra nos livros de história, mas no cotidiano que alavanca. São empuxo. E muitas vezes começam de forma simples, quase como joguetes de uma fértil imaginação. Lá na infância, sonhar é a forma natural de existir. A criança diz que quer ser piloto, astronauta, cientista, músico. Não existe cálculo de dificuldades, probabilidades, incertezas… Apenas imaginação. Repare na força extraordinária da liberdade de se pensar a vida como blocos de Lego em construção!

Com o tempo, crescemos. A vida traz responsabilidades, limites e realidades que parecem reduzir o espaço inventivo, a coragem, a fragilidade, o louco impulso , a vontade primeira, o medo invade e o talvez recebe espaço em nós. Ainda assim, os sonhos permanecem. Mudam de forma, talvez. Tornando-se mais discretos. Um ‘e se?”… Mas continuam nos acompanhando, silenciosamente (e milagrosamente!) , como uma bússola. Mesmo que desejar não signifique ignorar a realidade, mas reconhecer que a realidade também pode ser transformada.

Cada projeto, descoberta ou mudança na história humana começou primeiro como um sonho ou desejo de alguém. Se o trabalho de sonhar é o mesmo, que nossos sonhos sejam grandes o suficiente para mover o coração. Porque é ele que bombeia o sangue, dá a batida que envolve, o calor que aquece e nos faz caminhar da infância até o fim da vida sempre em direção a algo que ainda está por vir…

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