A saga de Alice, uma menina que segue um coelho e acaba chegando a um lugar mágico, completa 150 anos em 2015. Alice no país das maravilhas – e sua continuação Alice através do espelho e o que ela encontrou lá – figura(m) entre as obras mais emblemáticas de todos os tempos.

Porém, depois de tantos anos, a relação entre o autor Lewis Carroll (1832 – 1898) e a menina Alice Pleasance Liddell (1852 – 1934), filha de um amigo, ainda é controversa. Há quem diga que o escritor nutria pela garota, de apenas 13 anos quando o livro foi publicado, um amor proibido e há quem defenda Carroll, alegando que a relação não passava de uma amizade natural.

A suposta imagem sensual de Alice.
Foto: Reprodução.

Ainda que as suspeitas de pedofilia num tenha sido confirmadas, o pai de Alice proibiu que Lewis continuasse a ver a menina. (Uma foto de Alice em uma pose ‘sensual’ foi o estopim.) Parte da suspeita aumentou depois que pesquisadores descobriram que havia partes faltantes no diário de Carroll e que seriam, justamente, do momento em que o autor teria entrado em conflito que o senhor Liddell.

Beleza

Contra toda a polêmica, sobra a beleza de uma obra que encantou não somente crianças, mas também a escritora inglesa Virginia Woolf (1882 – 1941). “No intuito de nos fazer criança de novo, ele primeiro nos faz dormir”, disse a autora de Mrs. Dollaway em um texto que acaba de ganhar tradução para português em uma edição de Alice através do espelho e o que ela encontrou lá, lançada pela Cosac Naify em um box comemorativo.

“A infância volta às vezes de dia, mas é mais comum que volte à noite. Isso, porém, não era assim com Lewis Carroll. Por algum motivo, não sabemos qual, sua infância foi interrompida abruptamente. Ele a alojava inteira como um todo dentro de si. Não podia deixá-la se dispersar. E assim, conforme ele foi envelhecendo, esse impedimento no centro de seu ser, esse bloco duro de pura infância, privou o homem maduro de alimento”, completa.

Celebração

Outra edição comemorativa da obra de Carroll deve sair em julho, pela editora Zahar, com tradução premiada pelo Jabuti. Segundo a casa, os livros terão projeto gráfico em dupla face e acabamento luxuoso e ilustrações de uma autêntica especialista e habitante do mundo de Alice: Adriana Peliano, designer, artista plástica e presidente da Sociedade Lewis Carroll do Brasil, que desenvolveu fascinantes colagens a partir dos originais de Tenniel.

O box terá ainda O Marimbondo de peruca, episódio extra de Através do espelho, e um depoimento de Peliano sobre sua relação visceral com o universo de Alice.