Top 15: veja quais são os melhores filmes de 2025

Não foi um ano qualquer para o cinema. Pelo contrário: 2025 se impôs como um período de filmes inquietos, muitas vezes sombrios, quase sempre atravessados por perdas, traumas, memórias e pela sensação persistente de que o mundo anda perigosamente fora do eixo. Mesmo quando flertam com o gênero, com o espetáculo ou com o delírio, essas obras parecem movidas por uma urgência emocional e política difícil de ignorar.

Entre terrores que falam de luto, dramas familiares marcados por silêncios acumulados, distopias assustadoramente próximas da realidade e releituras que desmontam mitos conhecidos, alguns filmes se destacaram pela força estética e pela capacidade de permanecer reverberando para bem depois dos créditos finais. Títulos como Valor Sentimental, Pecadores, A Única Saída e O Agente Secreto não apenas dialogam com seu tempo, mas ajudam a compreendê-lo.

Vale lembra que, como toda lista que se preza, esta também é pessoal, subjetiva e atravessada por afetos. Não pretende ser definitiva nem consensual. É antes um recorte crítico, um gesto de amor ao cinema e às imagens que insistiram em incomodar, provocar e permanecer.


15 – O FILHO DE MIL HOMENS | Daniel Rezende

Daniel Rezende adapta o romance de Valter Hugo Mãe com delicadeza e respeito ao tempo das emoções. O filme acompanha personagens emocionalmente destroçados, à margem de qualquer ideia tradicional de pertencimento. Aos poucos, essas trajetórias isoladas se revelam partes de uma mesma crônica sobre exclusão, solidão e resistência afetiva. O silêncio, o olhar e a espera são ferramentas centrais da narrativa. Mesmo com desequilíbrios pontuais, o filme encontra força na empatia. Um gesto sincero sobre recriar laços inexistentes.


14 – SONHOS DE TREM | Clint Bentley

Fragmentado como lembranças que insistem em voltar, o filme acompanha a vida de um homem atravessando décadas de transformações históricas. Bentley constrói uma meditação silenciosa sobre tempo, memória e apagamento social. A fotografia transforma paisagens em estados emocionais, sempre carregadas de melancolia. O filme rejeita conflitos tradicionais e aposta na contemplação. Exige entrega e paciência do espectador. Em troca, deixa marcas discretas e profundas.


13 – FRANKENSTEIN | Guillermo del Toro

Del Toro revisita Mary Shelley para falar menos de horror e mais de rejeição, abandono e ausência de amor. Dividido entre criador e criatura, o filme ganha força quando assume o ponto de vista do monstro. Visualmente exuberante e emocionalmente cruel, revela que a verdadeira monstruosidade está na frieza humana. Jacob Elordi transforma dor em presença física. Uma tragédia gótica atravessada por lirismo e melancolia.


12 – A VIZINHA PERFEITA | Geeta Gandbhir

Construído quase exclusivamente a partir de registros oficiais, o documentário desmonta a falsa ideia de neutralidade institucional. Gandbhir transforma um caso policial em um retrato perturbador do racismo cotidiano. A ausência de narração intensifica o impacto das imagens. O horror nasce da repetição e da previsibilidade da violência. É um filme que confronta o espectador sem mediações. Necessário e incômodo.


11 – FAÇA ELA VOLTAR | Danny Philippou e Michael Philippou

Os irmãos Philippou abandonam o terror juvenil e mergulham em uma narrativa profundamente sombria sobre luto, culpa e negação. O medo nasce menos do sobrenatural e mais das dores emocionais não elaboradas. Sally Hawkins entrega uma atuação aterradora, desmontando qualquer expectativa. O filme aposta em um slow burn metódico e cruel. Quando o horror explode, já é tarde demais. Um terror sem alívio ou redenção.


10 – OESTE OUTRA VEZ | Érico Rassi

Um anti-western silencioso sobre homens aprisionados pelo próprio orgulho. Rassi desmonta o mito da masculinidade heroica e revela figuras endurecidas, incapazes de lidar com frustrações e afetos. A violência surge como último recurso de quem não sabe falar. A fotografia reforça o isolamento emocional e geográfico. O filme observa seus personagens sem indulgência. Um retrato amargo e necessário.


9 – A VIDA DE CHUCK | Mike Flanagan

Narrado de trás para frente, o filme transforma uma vida comum em experiência quase cósmica. Flanagan encontra beleza nos pequenos gestos, nos vínculos e nas memórias que constroem uma existência. Há momentos em que flerta com o sentimentalismo excessivo, mas recua a tempo. O que prevalece é a delicadeza. Um filme sobre finitude e permanência. Um momento muito mais para contemplar do que buscar explicações.


8 – A MEIA-IRMÃ FEIA | Emilie Blichfeldt

Ao deslocar o foco para a irmã feia, o filme desmonta o conto da Cinderela com crueldade e inteligência. O horror corporal surge como metáfora da violência estética e da misoginia estrutural. Corpos são moldados, feridos e descartados em nome de um ideal impossível. A encenação é fria, quase clínica em sua crueldade. O desconforto é constante e proposital. Uma estreia ousada e sem concessões.


7 – A HORA DO MAL | Zach Cregger

Cregger constrói um terror baseado na dúvida, na fragmentação e na impotência diante do medo coletivo. A narrativa evita sustos fáceis e aposta em uma atmosfera opressiva. Cada ponto de vista amplia a sensação de insegurança. O desaparecimento das crianças funciona como ferida aberta. Mais do que respostas, o filme oferece inquietação. Um terror que se infiltra lentamente.


6 – UMA BATALHA APÓS A OUTRA | Paul Thomas Anderson

Anderson abraça o exagero, o humor ácido e a violência estilizada para retratar uma América em colapso. A distopia apresentada é absurda, mas assustadoramente reconhecível. Entre guerrilhas, supremacismo e delírios morais, o filme transforma caos em comentário político. Leonardo DiCaprio entrega um personagem à deriva, tragicômico e desesperado. Um cinema que ri enquanto sangra. Incômodo e urgente.


5 – SEYMOUR HERSH: EM BUSCA DA VERDADE | Laura Poitras e Mark Obenhaus

Um documentário rigoroso que recusa a mitificação fácil de seu personagem. Ao expor conquistas e erros, o filme reafirma o jornalismo investigativo como prática de risco permanente. As denúncias atravessam décadas de violência institucional e manipulação do discurso oficial. O foco nunca é o ego, mas os fatos e suas consequências. A verdade aparece como algo constantemente combatido. O filme observa o desgaste entre imprensa, poder e sociedade. Um retrato devastador do nosso tempo.


4 – PECADORES | Ryan Coogler

Ryan Coogler entrega sua obra mais ambiciosa ao misturar drama social, musical e terror sobrenatural. Ambientado no Mississippi dos anos 1930, o filme transforma a música em força de resistência cultural. O clube de blues vira abrigo, palco e campo de batalha simbólico. A virada para o horror amplia a crítica racial e histórica sem perder coesão. Visualmente exuberante e emocionalmente intenso, o filme pulsa identidade. Um cinema que une celebração e denúncia com rara potência.


3 – A ÚNICA SAÍDA | Park Chan-wook

Park Chan-wook constrói uma sátira cruel sobre o colapso da identidade diante de um sistema capitalista excludente. O desespero do protagonista é tratado com humor ácido e exagero calculado. A violência surge como consequência lógica de uma sociedade que descarta pessoas. O filme nunca permite conforto moral. Rimos, mas com culpa. Estiloso, feroz e profundamente incômodo. Um retrato brutal e preciso do presente.


2 – VALOR SENTIMENTAL | Joachim Trier

Joachim Trier constrói um drama devastador sobre famílias incapazes de dialogar. A ansiedade da protagonista atravessa o filme como estrutura emocional. Relações mal resolvidas, memória e criação se confundem em um jogo cruel de projeções afetivas. A casa da família funciona como arquivo de silêncios e ressentimentos acumulados. O filme observa seus personagens com rigor e compaixão. Cada gesto carrega peso emocional. Um estudo doloroso sobre heranças invisíveis.


1 – O AGENTE SECRETO | Kleber Mendonça Filho

Kleber Mendonça Filho transforma o Brasil dos anos 1970 em espelho incômodo do presente. Misturando thriller, humor macabro e melancolia política, o filme constrói um mosaico poderoso sobre memória e identidade. Os espaços carregam história, violência e resistência. O passado não surge como nostalgia, mas como ferida aberta. É um cinema que entende lembrar como gesto político. Ambicioso, humano e profundamente necessário. O melhor filme do ano.


Menções honrosas

(em ordem alfabética)

  • A Garota Canhota
  • A Longa Marcha
  • Amizade Tóxica
  • Fuga Fatal
  • Foi Apenas um Acidente
  • Jayne Mansfield, Minha Mãe
  • O Bom Bandido
  • Se Eu Tivesse Pernas, Te Chutaria
  • Soberano
  • Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out

Agora a bola está com você: quais foram os seus melhores filmes do ano?
Quais imagens, personagens ou histórias seguem ecoando depois que a tela escureceu? Conta pra gente.

E até 2026!


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