Do sofá para a tela: três recomendações de peso no streaming

SALVE ROSA (2025) | NETFLIX

Rosa é uma influenciadora que, aos 13 anos, já carrega a responsabilidade de gerenciar 15 milhões de seguidores e uma carreira conduzida com mão de ferro por sua mãe, Dora. Vivida por Karine Teles, a matriarca tenta a todo custo manter uma imagem de pureza absurdamente infantilizada, algo que soa bizarro até mesmo para a idade da garota.

O filme de Susanna Lira bebe diretamente da fonte de diversos casos reais que dominaram as manchetes nos últimos anos, nos quais a felicidade virtual de celebridades mirins era apenas uma fachada para uma vida real conturbada e repleta de carências. Embora o conceito seja extremamente relevante, especialmente diante das recentes discussões sobre exploração de menores na internet, a execução tropeça na irregularidade.

Klara Castanho, mesmo aos 25 anos, consegue a proeza de convencer perfeitamente como essa jovem podada em seu crescimento, cuja percepção sobre o controle materno se torna cada vez mais sinistra à medida que segredos do passado vêm à tona. É perceptível o seu desespero e, principalmente, sua desilusão ao notar que o que ela acreditava ser dedicação excessiva era, no qual se revela agora, puro exercício de poder.

O grande problema é que, após construir todo um suspense psicológico em torno desse conflito familiar, o filme se rende a soluções fáceis e apressadas. Tudo o que foi plantado como mistério é resolvido em dez minutos finais que demonstram um certo desrespeito pelos próprios personagens e pela inteligência do público.

Na prática, o longa acaba sendo uma obra que poderia ter tido um cuidado maior em sua resolução, fazendo jus à importância do tema que se propôs a discutir, mas que prefere o caminho da conveniência narrativa.


PREDADOR: TERRAS SELVAGENS | DISNEY+

Vamos ser sinceros. A franquia Predador nunca foi exatamente um exemplo de regularidade e qualidade. O clássico de 1987 segue intocável, a continuação com Danny Glover é bem simpática, mas o resto da saga frequentemente flertou com a vergonha alheia, especialmente nos encontros constrangedores com o universo de Alien. Foi só em 2022, com Predador: A Caçada, que a criatura voltou a ter um mínimo de dignidade sob a direção certeira de Dan Trachtenberg.

Depois daquele acerto, havia um caminho aparentemente seguro que poderia durar pelo menos uns 10 anos: transformar o Yautja em um viajante histórico, inserindo-o em diferentes períodos e explorando o choque cultural entre o caçador e distintas civilizações. A ideia chegou a ser testada na animação Predador: Assassino de Assassinos, lançado no ano passado, que levou a criatura para a era dos vikings, ao Japão feudal e até à Segunda Guerra Mundial. Era uma fórmula promissora, uma antologia de carnificinas históricas. Trachtenberg, porém, decidiu abandonar essa rota confortável e arriscar algo estruturalmente mais ambicioso.

Em Predador: Terras Selvagens, ao invés de apenas deslocar o caçador para outro período histórico, ele altera o eixo moral da narrativa. O Yautja deixa de ser apenas o monstro da vez e assume o papel de protagonista e anti-herói. Dek, o mais fraco de sua linhagem, parte em busca da criatura mais letal da galáxia para honrar a memória do irmão que morreu para defendê-lo. No caminho, ele une forças com a androide Thia, interpretada por Elle Fanning, que também tem seus próprios interesses nessa jornada.

As sequências de ação são eficientes e visualmente impactantes. Ainda assim, percebe-se uma tentativa clara de tornar o material mais palatável. As vítimas humanas são substituídas por androides, o que permite que o predador seja brutal sem que o filme se torne indigesto. Há também uma mascote de olhos grandes, quase um Pokémon intergaláctico, sinalizando que o alvo aqui é um público mais amplo, se é que você me entende.

Ainda assim, é difícil não se divertir. O filme é ágil, colorido, assume seu tom de aventura cósmica sem culpa e oferece uma nova leitura para um personagem que parecia condenado à repetição. Talvez não seja revolucionário. Mas é um recomeço honesto – e surpreendentemente simpático – para uma criatura que já foi apenas sinônimo de carnificina.


QUARTO DO PÂNICO | TELECINE

Esta nova versão de Quarto do Pânico, dirigida por Gabriela Amaral Almeida e disponível no Telecine, tenta atualizar para os dias de hoje a paranoia que marcou o filme de 2002 comandado por David Fincher. A proposta seria trazer o clima de tensão para a realidade brasileira e os dias de hoje, mas o resultado acaba ficando bem mais morno do que deveria. E a gente até tenta, mas é impossível não comparar com o original.

Aqui, Isis Valverde vive uma mulher que perdeu o marido em um assalto e decide se mudar com a filha pré-adolescente, interpretada por Marianna Santos, para uma mansão enorme equipada com um quarto do pânico. A escolha de uma casa tão gigante não faz muito sentido, mas o roteiro não perde tempo tentando justificar. Como manda o manual clássico do suspense, a invasão acontece logo na primeira noite.

O trio de criminosos é liderado por André Ramiro, no papel do técnico de segurança responsável pelo tal quarto do pânico e que agora comanda a invasão, fazendo aqui o papel do bandido de bom coração que faz aquilo apenas para conseguir dinheiro para a cirurgia do filho. Ao lado dele temos Marco Pigossi, como o típico rapaz de classe média arrogante que se envolve no crime por pura diversão, impulsivo, violento e completamente sem noção, quase tratando tudo como uma brincadeira perigosa. Fechando o grupo, Caco Ciocler surge com uma marreta do Thor e um cabelo tigelinha vergonhoso, uma cicatriz enorme no rosto e aquela postura marrenta de quem faz questão de parecer tão ruim por dentro quanto por fora, sem qualquer esforço para esconder a própria crueldade.

Na tentativa de criar incômodo e tensão, a direção aposta em muitos planos fechados, closes insistentes e enquadramentos que focam e desfocam o tempo todo de forma que irritante, como se a câmera quisesse provocar desconforto no espectador. Na prática, esse excesso de recurso não gera o efeito esperado. Em vez de aumentar a ansiedade, acaba soando repetitivo e, de verdade, bem artificial.

Ainda assim, não chega a cansar. Funciona como entretenimento passageiro e pode agradar principalmente quem nunca assistiu ao longa de Fincher. Para quem já viu, fica a sensação de que dava para ter ido bem mais além.


Bora aproveitar o fim de semana pra ver estes filmes?

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