Estamos no Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo. E apesar de cada vez mais se falar sobre o tema, ainda existem muitas dúvidas e, infelizmente, muito preconceito alimentado justamente pela falta de informação.
Muita gente até evita falar sobre autismo, foge da possibilidade de um diagnóstico com medo do preconceito. Conheço gente que tem receio de conversar com uma pessoa autista, com uma mãe ou um pai atípico, achando que vai dizer algo inapropriado, ou que tem que ter um jeito especial. Mas entender minimamente o assunto já é um passo enorme para quebrar alguns paradigmas e construir uma sociedade mais acolhedora.
O que é autismo?
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar a comunicação, o comportamento e a interação social. Estima-se que afete cerca de 1 em cada 54 pessoas. Ou seja: é bem mais comum do que muita gente imagina, e provavelmente você convive ou já conviveu com alguém autista sem saber.
De forma geral, pessoas autistas podem ter dificuldades em perceber a linguagem não verbal: gestos, expressões faciais, “entrelinhas” das conversas. Em alguma medida, isso pode gerar desafios para manter relacionamentos e interações sociais do jeito que a sociedade espera. É importante lembrar que cada pessoa autista é única, com suas próprias características e necessidades então não dá pra rotular com base em uma ou outra característica.
Como identificar?
Quando surge a dúvida sobre a possibilidade de autismo, é fundamental buscar ajuda de profissionais habilitados para fazer as avaliações e definir o diagnóstico, como psiquiatra, neurologista ou neuropsicólogo. O autismo pode ser classificado em grau 1 que é considerado leve, grau 2, moderado (quando a pessoa já requer algum suporte) e grau 3 (quando costuma haver um comprometimento maior da fala e necessidade de suporte intenso em várias áreas da vida).
Os autistas costumam apresentar alguns comportamentos como o hiperfoco. Passam horas a fio fazendo coisas que gostam, mergulhando profundamente em determinados temas, hobbies ou interesses específicos. Também costumam não gostar de mudanças bruscas de rotina. Além disso, muitas pessoas autistas têm questões sensoriais: podem se incomodar com certas texturas, cheiros e barulhos. Algumas andam na ponta dos pés, não gostam de andar descalças, evitam pisar na areia da praia, não toleram alguns tipos de tecido, se incomodam com determinados sons ou têm muita dificuldade com certos alimentos.
Autismo não tem cura. Mas calma, porque isso não é uma sentença negativa. Existe tratamento, e ele é fundamental para que a pessoa desenvolva ao máximo suas habilidades, tenha mais autonomia e qualidade de vida. Além do aspecto clínico, o diagnóstico também é importante porque garante acesso a direitos diferenciados, inclusive a possibilidade de aposentadoria especial em alguns casos.
Quem pode ajudar?
Nesse caminho, ninguém precisa estar sozinho. Existem organizações que atuam diretamente no apoio às pessoas autistas e suas famílias. A AAMPARA oferece assistência para crianças e famílias, ajudando tanto na orientação sobre o desenvolvimento quanto na busca pelos direitos. Já a ONG Mães de Autistas trabalha para oferecer conforto e apoio emocional às mães, que muitas vezes carregam uma sobrecarga grande, tanto física quanto emocional.
Para quem quiser conhecer o trabalho dessas ONGs, buscar orientação ou até ajudar de alguma forma, aqui vão os contatos:
- Aampara Site: https://aamparaautismo.org.br/
- ONG Mães de Autistas: https://omab.ong.br/
Abril Azul é um convite para ir além da cor nas fachadas dos prédios e das campanhas nas redes sociais. É hora de buscar informação de qualidade, parar de repetir mitos, enfrentar o preconceito e entender melhor o autismo para fazer a nossa parte: respeitar, acolher e incluir. Bora causar o bem!
