Maio Laranja: o seu “olho aberto” é a maior arma de proteção

A imagem mostra um olho a frente de uma rua com diversas casinhas de tijolo.
Imagem criada por Inteligência Artificial

Notou que as redes sociais ficaram mais alaranjadas nos últimos dias? Pois é, estamos no Maio Laranja: o mês do combate ao abuso e à exploração infantil. E se você acha que esse assunto não te diz respeito, os números mostram que a realidade é muito mais próxima do que a gente gostaria de acreditar.

Para você ter uma ideia da gravidade, dados do Instituto Liberta apontam que, a cada 24 horas, 320 crianças são exploradas no Brasil. Isso inclui desde o turismo sexual e a pedofilia até o aliciamento. É um cenário assustador que acontece, muitas vezes, onde a criança deveria estar mais segura: dentro de casa.

O perigo mora ao lado (e no Wi-Fi)

A exploração e o abuso são, em grande parte, cometidos por familiares ou pessoas próximas que frequentam o ambiente doméstico e têm acesso aos jovens sem supervisão. Mas o risco não para na porta de casa. Com a tecnologia, a violência migrou para o mundo online, escondida em redes sociais e salas de bate-papo de jogos eletrônicos. É o que chamamos de grooming (aliciamento digital) e pedofilia virtual. Por isso, o cuidado hoje precisa ser redobrado.

Como proteger sem “paranoias”?

Muitos pais me perguntam como proteger os filhos sem cercear a liberdade ou virar alguém paranoico. Uma receitinha que costuma dar certo é: muito diálogo, informação, orientação, supervisão e cuidado.

Precisamos educar nossos pequenos para que eles saibam identificar o que é um toque ou uma conversa estranha. Eles precisam saber que têm voz, que podem (e devem) contar para um adulto de confiança se algo acontecer e, principalmente, que não serão penalizados por falar a verdade. Nesse jogo, os professores também são peças-chave, já que muitas vezes são os primeiros a notar que algo mudou no comportamento do aluno.

Fique atento aos sinais

A denúncia é a nossa ferramenta mais poderosa, mas ainda falhamos muito nisso. Estima-se que, a cada hora, 8 crianças sofram violência no país, mas apenas 8% dos casos são denunciados. Para mudar essa estatística, precisamos aprender a ler os sinais de alerta que a criança emite:

  • Mudanças repentinas no apetite (falta total ou compulsão alimentar);
  • Isolamento social e medo de se aproximar de certas pessoas;
  • Desleixo com a higiene pessoal;
  • Distúrbios de sono, como insônia ou pesadelos constantes;
  • Quadros de depressão, automutilação ou marcas físicas inexplicáveis.

Formando uma rede de proteção

Se você desconfia de algo, não hesite. Busque ajuda no Conselho Tutelar ou em delegacias especializadas. Se o crime for no ambiente virtual, instituições como a SaferNet e a Childhood oferecem orientações específicas para lidar com crimes digitais. Aqui em Curitiba o Instituto Tecnologia e Sociedade Humana também orienta famílias e professores para atuarem na prevenção e segurança digital de crianças e jovens.

A gente tem milhares de ONGs aqui em Curitiba e em todo o Brasil lotadas de crianças que foram retiradas das famílias porque sofriam violência, negligência e exploração. Ajudar essas ONGs que acolhem crianças e jovens é uma forma muito eficiente de ajudar a fortalecer essa rede.  

E não esqueça o seu papel de adulto: ouvir e acolher a criança, acreditar no relato dela, não julgar, denunciar, e, principalmente, nunca culpar a vítima.

Denuncie!

O disque 100 está aí pra nos ajudar. Basta discar 100 pelo telefone

WhatsApp: (61) 99611-0100

Também tem o site da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH). Você acessa e inicia um chat de atendimento no próprio site: https://www.gov.br/mdh/pt-br/ondh/

Você é uma peça chave nessa rede de proteção. E pra que ela seja cada vez mais forte, precisamos estar presentes na vida das crianças e jovens e atentos todos os dias, não apenas em maio.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o tema, não fica com essa informação só pra você. Compartilhe esse texto com o máximo de pessoas que puder. Assim vamos juntos causar o bem e ajudar a proteger nossas crianças e jovens.  

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