Nesta semana a gente comemora duas datas importantes: o Dia Nacional do Livro e o Dia da Democracia. E confesso que fiquei até em dúvida sobre qual dos dois assuntos trazer para esta coluna, porque considero ambos igualmente importantes.
Olhando assim, parecem temas bem diferentes, né? Livros, leitura, educação… e o outro: democracia, direitos, participação. Mas e não é que um tem tudo a ver com o outro? Sim, porque uma democracia precisa de cidadãos capazes de compreender informações, questionar, comparar ideias e tomar decisões conscientes. E a leitura é fundamental para desenvolver essas habilidades. Só que, quando a gente olha para os índices de leitura e interpretação de texto no Brasil, a situação é preocupante.
Brasil lê pouco. E compreende menos ainda!
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, mostrou que 53% dos brasileiros não leram nem parte de um livro. E tem outro dado que me preocupa muito. O Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) mostrou que apenas de 10% dos brasileiros entre 15 e 64 anos alcançam o nível proficiente de alfabetismo, o mais elevado da pesquisa e quase 30% são analfabetos funcionais.
Ou seja, temos um longo caminho pela frente para superar nossas dificuldades de leitura e interpretação. E essa situação fica ainda mais complicada com as redes sociais, onde a informação chega o tempo inteiro, muitas vezes em vídeos curtinhos, manchetes chamativas e mensagens que a gente compartilha sem nem saber se são verdadeiras.
Agora pensa comigo: como é que uma pessoa consegue avaliar uma proposta, identificar se uma notícia é verdadeira ou falsa, compreender seus direitos ou questionar uma informação se tem dificuldade para entender o que lê? E não estou falando só de política ou de eleições, não! Estou falando de autonomia, liberdade de pensamento e capacidade de fazer boas escolhas no dia a dia. Uma sociedade que lê pouco e interpreta mal fica mais vulnerável à manipulação e à desinformação.
Democracia não é todo mundo pensar igual!
Muito pelo contrário! Há riqueza na diferença. Mas a gente precisa aprender a discordar e debater ideias como gente grande: com argumentos, respeito e disposição para ouvir. Bem diferente do que a gente tá vendo com tanta polarização por aí, né?
A leitura ajuda justamente nisso. Amplia nosso repertório, apresenta outros pontos de vista, mostra realidades diferentes e desenvolve nossa capacidade de refletir antes de sair concordando ou discordando de tudo.
E vamos combinar? Num mundo em que qualquer pessoa pode publicar qualquer coisa, e em que a inteligência artificial consegue produzir textos, imagens e vídeos cada vez mais convincentes, saber interpretar informações virou questão de sobrevivência. Porque acesso à informação todo mundo tem, mas a que tipo de informação? É preciso compreender, comparar, questionar, avaliar se é verdadeira e pensar sobre ela.
Quer fortalecer a democracia? Comece pela leitura!
Quero fazer um convite. Ou melhor, um desafio, quase uma intimação…hehe Leia mais! Incentive seus filhos a ler, frequente bibliotecas, compartilhe livros, converse sobre o que leu, leia para alguém. Leia no papel, leia digitalmente, mas leia! E procure fontes confiáveis.
E não fica só na leitura de títulos e nos vídeos curtinhos. Aprofunde, principalmente naqueles temas que impactam sua vida. Compare fontes, busque informações seguras, questione. Porque a leitura não garante, sozinha, uma democracia forte. Mas eu não tenho dúvida de que é uma das ferramentas mais importantes para formar cidadãos mais livres, críticos e conscientes. Afinal, um dos grandes valores da democracia está justamente no nosso direito de escolher. Mas de que adianta ter o direito de escolher se a gente não desenvolve a capacidade de fazer boas escolhas?
Duas ONGs que merecem ser conhecidas
E antes de terminar, quero aproveitar para apresentar duas organizações que fazem trabalhos muito importantes nessas áreas e que merecem nosso apoio. Nem que seja para conhecer o trabalho, seguir nas redes sociais e dar aquele like!
Uma delas é o Instituto GRPCOM, que há 26 anos desenvolve, em parceria com a Gazeta do Povo, o projeto Ler e Pensar, uma iniciativa que incentiva a leitura, a educação e a formação de leitores mais críticos.
A outra é o Instituto Sivis, que desenvolve projetos voltados ao fortalecimento da cultura democrática, à participação cidadã e ao diálogo.
- Instituto GRPCOM está no instagram e no Youtube como @institutogrpcom
- O Instituto Sivis: https://www.sivis.org.br/
Viu só, como no fim das contas, livro, leitura e democracia têm muito mais em comum do que parece? Então bora ler pra fortalecer a nossa democracia e causar o bem, porque uma sociedade que lê e aprende a pensar por conta própria é muito mais forte e difícil de enganar!
