Sabe aquele dia em que as coisas estão tensas, a gente passa o maior perrengue no trabalho ou no trânsito e não vê a hora de voltar para casa e descansar? É bom demais saber que temos o nosso cantinho aconchegante para retornar, né? Agora, tenta imaginar a realidade de pessoas que, de uma hora para outra, simplesmente não têm mais uma casa. Pessoas que precisam sair correndo da sua cidade, do seu próprio país. É até difícil de imaginar.  

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No dia 20 de junho, o calendário marca o Dia Mundial do Refugiado. Embora seja um tema pouco falado no dia a dia, não dá para fechar os olhos para essa realidade. Quando ouvimos a palavra “refugiado”, muitas vezes parece algo distante, quase como uma cena de filme de ficção. Mas a verdade é que, pelo mundo, existem milhares de pessoas iguaizinhas a nós que tiveram suas vidas viradas do avesso da noite para o dia. 

Refugiado é uma coisa, imigrante é outra: não confunda 

Muita gente ainda confunde refugiados com imigrantes, mas são situações totalmente diferentes! Os imigrantes escolhem deixar seu país, para buscar melhores condições de trabalho, estudo, etc. Já os refugiados… esses não têm escolha. Foram e continuam sendo forçados a fugir. Para e pensa aqui comigo: ninguém acorda de manhã e planeja “Ah, hoje vou largar minha casa, meu emprego, meus amigos e fugir com a roupa do corpo”. Quando isso acontece, é porque existe uma condição extrema: para salvar a própria vida da violência, da guerra, da fome e da perseguição. E nessa fuga desesperada, o destino é incerto, falta comida, falta abrigo, precisa enfrentar o preconceito, a tristeza e um difícil recomeço. 

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O que é a ONG Fraternidade sem Fronteiras e como ela atua? 

Para abraçar essa causa e transformar dor em oportunidade, várias organizações da sociedade civil trabalham duro pelo mundo. Uma dessas iniciativas é a da ONG Fraternidade sem Fronteiras que apesar de ser brasileira, atua em várias partes do mundo onde há necessidade de ajuda humanitária. E um dos trabalhos que a organização desenvolve, fica em um campo de refugiados localizado no Malawi, na África. No projeto Nação Ubuntu, a ONG recebe refugiados de vários países: Congo, Ruanda, Burundi, Somália, que são países pobres, com muitos conflitos que a gente sequer fica sabendo por aqui, pois não tem visibilidade nas mídias. Pra se ter uma ideia da gravidade da situação, o Malawi é o 4º país com a maior taxa de extrema pobreza do mundo. A renda média por lá é de apenas 5 dólares por mês, ou seja, 25 reais por mês. Já imaginou? E olha, que pra receber esses 25, precisa já ter passado por um grande e burocrático cadastro na ONU, que aliás, está em vias de retirar essa ajuda humanitária, piorando ainda mais a situação.  

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Hoje, esse campo abriga mais de 60 mil pessoas que precisam de tudo: de alimentos, de moradia, de educação, de renda, de lazer, de carinho e principalmente, de esperança. Minha amiga Cássia, que atua lá como voluntária e está praticamente morando por lá, me conta sobre essas dificuldades e também sobre a alegria desse povo que, apesar de tudo, tem muita vontade de viver, de recomeçar e que tem um potencial enorme pra prosperar. Só precisam de uma ajuda. 

Educação, Empreendedorismo e Inteligência Artificial no terceiro setor 

O voluntariado transforma, ninguém duvida. Recentemente, a Cássia me trouxe um convite irrecusável. Na próxima semana, vou ministrar uma aula de Inteligência Artificial para os refugiados que participam do Programa de Empreendedorismo criado pela  Fraternidade sem Fronteiras – Nação Ubuntu. 

O objetivo da iniciativa é prático: desmistificar a tecnologia e usá-la como ferramenta de geração de renda, permitindo que eles movimentem a economia local e criem pequenos negócios, recuperando sua autonomia financeira. Prometo voltar aqui na coluna em breve para contar os resultados dessa experiência! Mas conto isso pra dizer que: sim, você também pode fazer parte dessa transformação. 

Como ajudar refugiados e fazer a diferença? 

Manter uma estrutura que oferece moradia, alimentação, saúde e educação para dezenas de milhares de pessoas custa caro e exige esforço contínuo. Se você se sensibiliza com essa causa, saiba que existem maneiras práticas de causar o bem e fazer a diferença agora mesmo: 

  • Apoie financeiramente: Acesse o site oficial da instituição (fraternidadesemfronteiras.org.br) e conheça os programas de apadrinhamento e doação. Toda ajuda, de qualquer valor, é fundamental para manter os projetos de pé. 
  • Abra oportunidades no mercado de trabalho: Se você tem uma empresa, indústria ou comércio, abra vagas de emprego para pessoas refugiadas. O trabalho é o maior resgatador de dignidade que existe. 
  • Pratique a empatia no dia a dia: Se você cruzar com uma pessoa refugiada na sua cidade, lembre-se de que o seu respeito, a sua acolhida e o seu sorriso valem muito. 

Mudar o mundo pode parecer um plano ambicioso demais, mas ele começa com pequenas atitudes. Então, meu povo, bora causar o bem!