A armadilha de banalizar a saúde mental

Pessoa segurando uma folha com a escrita "Saúde Mental"
Imagem criada por Inteligência Artificial

“Esqueci onde deixei a chave: Tenho TDAH.” “Ele se acha demais! Certeza que é narcisista.” “Ela tem mania de arrumação” porque tem TOC.”

Quantas vezes você já ouviu, ou até falou coisas assim nas últimas semanas? Quem nunca, né? Mas o papo hoje é sério, sem piada. E resolvi trazer esse tema depois de ler uma postagem da minha amiga e psicóloga Camila Leite. Como estamos no Setembro Amarelo, mês de valorização da vida, de prevenção ao suicídio e de cuidado com a saúde mental, percebi que essa conversa tem tudo a ver com o momento.

Pode parecer inofensivo, mas existe uma armadilha silenciosa acontecendo no nosso dia a dia: a banalização da saúde mental. Às vezes, a gente rotula alguém de “dramático” sem saber que a pessoa convive com bipolaridade. Critica quem vive mais isolado, sem imaginar que está no espectro autista. Ou fala que fulano é “borocoxô”, ignorando que pode ser uma depressão clínica.

Banalizar desencoraja a busca de ajuda

Na grande maioria das vezes, a gente não faz ideia das batalhas internas do outro. E tem um detalhe crucial: quem realmente está precisando de ajuda, quase nunca pede. As pessoas tentam disfarçar para se enquadrar, para parecerem “normais”.

Ter TDAH não é ser avoado. Envolve uma sobrecarga mental pesada. Ser autista e mais reservado não é esquisitice. E ter depressão está longe de ser apenas uma tristeza passageira. Tudo isso exige acolhimento, terapia e, muitas vezes, acompanhamento de um profissional da área de saúde, um psicólogo ou psiquiatra.

Quando gente banaliza a saúde mental, chama de frescura ou faz piada, na real podemos piorar muito a situação, tanto com quem está perto da gente, quanto com a sociedade em geral. E o pior é que as pessoas que realmente estão sofrendo acabam desacreditadas. Quando alguém desabafa sobre uma dor real, a resposta acaba virando desdém: “Ah, hoje em dia todo mundo tem isso.” Essa invalidação cala e desencoraja quem precisa de socorro. E quando a dor é silenciada, o isolamento cresce. E é aí que os maiores riscos à vida ganham força.

Saúde mental é coisa de profissional!

Cuidar da saúde mental neste mês também significa ter responsabilidade com as palavras. Diagnóstico clínico e sério, só quem faz é profissional da saúde.

E falando em trabalho sério, vale muito destacar iniciativas de organizações sociais que lutam para democratizar o acesso ao cuidado psicológico, como o Instituto Guia Profissional Social (IGPS) e o Espaço Dipsi. O trabalho é lindo e o apoio emocional que essas ONGs dão para as pessoas é extremamente importante, então, se puder, ajude.

E se você sente que precisa de ajuda, esqueça as receitinhas mágicas e os testes rápidos da internet. Procure um profissional de verdade. E se a barra estiver muito pesada agora, lembre-se do CVV (Centro de Valorização da Vida): basta ligar 188. É gratuito, anônimo e funciona 24 horas por dia.

Respeitar a saúde mental começa em não transformar a dor do outro em piada. Neste Setembro Amarelo, seja mais empático, olhe ao redor, estenda a mão e bora causar o bem compartilhando esse texto com quem precisa saber disso.

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