Brasil e Japão: duas vitórias, duas lições

O Brasil comemorou a classificação ao vencer o Japão por 2 a 1 na Copa do Mundo. Dentro das quatro linhas, fomos melhores. A festa da torcida brasileira foi merecida.
Mas, quando o árbitro encerrou a partida, começou outro jogo. E nele, o Japão deu uma verdadeira aula ao mundo.

Enquanto milhares de torcedores deixavam o estádio, a torcida japonesa permaneceu nas arquibancadas recolhendo o próprio lixo. Um gesto simples, repetido há anos em competições internacionais, que revela algo muito maior do que educação: revela cultura, respeito à coletividade e senso de pertencimento.

Essa cena nos convida a uma reflexão importante: Brasil ganhou do Japão no placar. Mas o Japão venceu no cuidado com o espaço coletivo, no exemplo de cidadania e na demonstração de que pequenas atitudes têm o poder de transformar ambientes.
Essa é uma vitória que não aparece nas estatísticas das competições, mas deixa um legado para toda a sociedade.

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Um parêntesis aqui: vale a pena conferir o vídeo desse influenciador @pedrofariarod que brincou com a situação:

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Na escola, essa lição faz ainda mais sentido.

Educação ambiental não se resume a ensinar sobre reciclagem, mudanças climáticas ou preservação da natureza. Ela acontece quando formamos pessoas capazes de cuidar dos espaços que utilizam, respeitar o patrimônio coletivo e compreender que cada ação individual produz consequências para todos.

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É na sala de aula, no corredor, no pátio e na quadra que os estudantes aprendem, diariamente, que jogar um papel no lixo, fechar uma torneira ou cuidar dos materiais da escola não são pequenos gestos. São escolhas que constroem cidadania.
Não se trata de transmitir conteúdos, mas sim de educar pelo exemplo.

Imagine o impacto se, ao final de um recreio, cada estudante deixasse o ambiente como gostaria de encontrá-lo. Se, após um evento escolar, professores, famílias e alunos se unissem espontaneamente para cuidar do espaço. Se cada pessoa entendesse que limpar não é obrigação de alguém, mas responsabilidade de todos.

É exatamente esse sentimento que vimos nas arquibancadas ocupadas pelos japoneses.

Talvez a maior diferença entre as duas torcidas não estivesse na paixão pelo futebol, mas na compreensão de que o espaço público também é extensão da nossa casa.
Como educadora, acredito que essa seja uma das maiores missões da escola: formar cidadãos que levem esse comportamento para além dos muros escolares. Porque uma sociedade sustentável não nasce apenas de leis, campanhas ou investimentos. Ela nasce de hábitos cultivados diariamente.

O Brasil venceu a partida.

Mas, se quisermos vencer também o desafio da sustentabilidade, da cidadania e do respeito ao bem comum, temos muito a aprender com o Japão.

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Que esse exemplo ultrapasse os estádios e inspire nossas escolas, nossas famílias e nossas comunidades. Afinal, os maiores campeões não são apenas aqueles que vencem partidas, mas aqueles que deixam bons exemplos por onde passam.

E, antes que alguém pense o contrário, continuo torcendo pelo nosso futebol. Hoje o Brasil venceu o Japão dentro de campo, e isso merece ser comemorado. Mas também podemos reconhecer que os japoneses deram uma aula de cidadania, respeito ao espaço coletivo e educação ambiental.

Quem sabe um dia possamos vencer os dois jogos: o do futebol e o da consciência ambiental.

E, como bons brasileiros que somos…

Vai, Brasil!

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