Um balcão, duas vidas e uma história construída no bar todos os dias em bairro de Curitiba

Bezerra e Bia, donos de bar que faz sucesso no Cajuru. Foto: Gustavo Marques

Se existe um boteco onde história, parceria e identidade caminham lado a lado, ele atende pelo nome de Bar e Restaurante Casa D’Bia, no Cajuru, em Curitiba. São vidas inteiras atrás do balcão, contadas por quem segura o salão com sorriso no rosto e amor ao bar.

Aldeci Bezerra de Carvalho, ou simplesmente Bezerra, é daqueles personagens que o boteco revela. Pernambucano de São José do Egito, ele carrega no sotaque e na história o caminho de quem saiu cedo de casa em busca de um sonho. “Fui para Brasília em 1982 com o sonho de ser jogador de futebol. Quase deu certo, mas a vida trouxe outros caminhos”, conta Bezerra.

O futebol ficou para trás, mas não totalmente. Volante “técnico”, como ele faz questão de frisar, Bezerra ainda fala com brilho nos olhos sobre essa fase. Só que foi em Curitiba, onde chegou em 1987, que a vida tomou outro rumo. “Vim pra cá, casei em 91 e tô até hoje. Isso aqui é tudo pra mim”, salienta o torcedor do Santa Cruz e do Flamengo. E nesse “tudo” está o boteco.

Antes da Casa D’Bia, veio o Bar do Parambu, nome emprestado de uma cidade do Ceará e que virou referência entre nordestinos no Boqueirão. “Os caras perguntaram que nome eu ia colocar, eu nem sabia. Aí sugeriram Bar do Parambu. E pegou”, afirma Bezerra.

Foram anos de balcão, passando por Colombo, na Região Metropolitana até fincar de vez as raízes no Cajuru, onde hoje está há cerca de seis anos no endereço atual, mas com uma vida inteira no bairro.

A capitã do bar

Se o salão tem dono, a cozinha tem comando, e ele reconhece isso sem rodeio. Ao falar da esposa, a admiração é direta: “A Bia é tudo. Sem ela ali atrás eu não me sinto confiável nem pra abrir o bar”, confidencia Bezerra.

Curitibana, Ana Beatriz Silva, a Bia, praticamente nasceu dentro de um boteco. Cresceu entre balcões e mesas, acompanhando a rotina de quem fez do comércio um modo de vida. “Cresci dentro de um comércio, o boteco sempre esteve presente, engatinhava, caminhava, corria dentro de boteco”, resume Bia ao falar da sua trajetória que se tornaria destino mais tarde.

E essa divisão não é só prática, é simbólica. São 35 anos de casamento, de parceria, de construção conjunta. Entre diferenças, rotina puxada e muito trabalho, o que se vê é uma engrenagem que funciona porque existe respeito. “Nem sempre as opiniões são iguais, eu quero uma coisa, ele quer outra, trabalhar junto no comércio é isso. É desgastante, mas é gratificante também’, explica Bia. Dessa linda união, vieram a Sabrina e a Lucena, filhas do casal.

A feijoada

Aos sábados, a feijoada Bar e Restaurante Casa D’Bia é pura sensação no bairro. A cozinha começa a bombar às 11h30, e ganha vida com pagode e casa cheia.

Mesmo com a rotina intensa, Bia não esconde o sentimento que a move. “Boteco é minha vida. Eu não sei fazer outra coisa, se eu fico longe uma semana, já dá vontade de voltar. Tá no sangue”, orgulha-se a curitibana que tem na equipe a Silvana lamac, Yolanda Cardoso, José Carlos e o Anderson Renato.

Quando questionada sobre como definir a própria casa, Bia não hesita:
“A Casa da Bia é um lugar aconchegante, gostoso, com boa comida e muita brincadeira”, completa a “capitã” do bar que voltou a concorrer neste ano ao Concurso Comida di Buteco com um petisco que fez sucesso e deve figurar entre os melhores.

Com esse carinho que exala alegria, talvez seja por isso que o Casa D’Bia não seja só mais um endereço no Cajuru. É daqueles lugares onde o cliente entende que ali tem verdade, e no universo do boteco, isso vale mais que qualquer receita.

Bar e Restaurante Casa D’Bia

Endereço: Rua Roraima, 1369 – Cajuru, Curitiba

Horário de funcionamento:  nas segunda, das 9h às 15h; de terça-feira à sexta-feira das 9h às 23h30; sábado das 9h às 21 horas.

Instagram: casadbia

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