O operário do boteco: a história de quem herdou um bar e fez dele uma paixão no Bairro Alto em Curitiba

O Colonial tem algo que não se compra: atmosfera. Na Rua Santa Madalena Sofia Barat, no Bairro Alto, em Curitiba, o Bar e Lanches Colonial mantém uma tradição iniciada em 1981. À frente do balcão está Washington Luiz de Oliveira Starke, 44 anos, um comerciante que incorpora na prática, o significado de fazer de tudo um pouco, e muito bem-feito.

Nascido em Bom Jardim de Minas, ele veio ainda bebê para Curitiba e cresceu no bairro onde hoje administra o estabelecimento fundado pelo avô, Orlando Vandresen. Desde pequeno circulava entre as mesas no bar que era localizado a uma quadra do atual endereço, e demonstrava simpatia com os clientes e educação vinda dos pais Wanderley e Rosângela.

“Eu tenho foto com cinco anos naquele outro bar. Aquelas mesas de concreto lá da parte externa eram de lá, o vô transferiu para cá. Meu pai Wanderley chegou a ter um bar lá no Fanny, é de geração esse amor pelo comércio”, disse Washington.

Depois de trabalhar como soldador, técnico de telefonia, motorista de aplicativo e atuar na indústria, Washington assumiu o ponto há cinco anos. Um legado após a morte do avô. “O início foi desafiador, era 2021, enfrentei as restrições da pandemia e precisei manter o atendimento de forma improvisada”, recordou Washington.

A rotina é intensa, e muitas das vezes, solitária. Quando não tem a ajuda da própria família, ele mesmo prepara as porções, atende no balcão, recebe pagamentos, limpa o salão e fecha o caixa. “Eu tenho muita porção que eu deixo pré-preparada, na hora que você chega lá e me pede, por exemplo, o torresminho. Chegou lá, em três minutos tá pronta a porção de torresmo. Eu aprendi que no comércio tem que manter a calma. Se você fica nervoso, acaba se atrapalhando mais”, afirmou o esposo da Josemari, pai da Júlia e de um futuro menino que está por vir.

Bar limpo com balcão de cinema

Uma das principais características do Bar e Lanches Colonial é a limpeza. O balcão azul clássico de boteco é um brilho. Com uma estufa cheia de salgados e um cachorro-quente que atrai a vizinhança, o espaço abriga ainda potes das conservas tradicionais de boteco alinhados como uma defesa intransponível, tendo na equipe o rollmops, o espeto misto, a vina, e os ovos de codorna e de galinha. Pode-se cravar fácil que ali é o ponto mais democrático do bar, onde todos são especialistas e humoristas. É o boteco pulsando!

Ainda no Colonial, tem o espaço da sinuca com ficha. Duelos são vistos diariamente e tudo na maior descontração. Um ponto que vale destacar são os preços que cabem no bolso. A cerveja trincando é barateira, e em certas ocasiões, os clientes chegam no freezer e pegam direto o gole.

“Conheço todos pelos nomes, e a freguesia sabe que estou sempre na correria. Isso chama confiança. A comunidade aqui do Bairro Alto nos conhece faz tempo, e cada um ajuda ao outro”, comentou Washington.

Sobre os lanches, o campeão de vendas é o bolinho de carne, receita da vó Maria Floriano, que sempre aparece no bar para dar uma conferida na cozinha. Porções também aparecem na preferência da freguesia, especialmente, os peixes como sardinha e tilápia.

Nas sextas-feiras, carne de onça é servida com maestria. “Tudo é feito de maneira simples, mas de coração. Usamos bons ingredientes para atender todos da mesma maneira”, afirmou o dono coxa-branca.

“Eu gosto do bar”

Estar ali perto do balcão é vivenciar o amor do Washington pelo que faz. Dono de boteco é pura realidade de vida, pouco glamour e muito trabalho pensando no bem-estar dos outros.

“Das atividades que fiz, o bar é que eu mais gosto, tenho vontade de fazer mais. Sabe quando você chega disposto, quer fazer as coisas e funciona? É amor verdadeiro, é uma sequência que trago da minha família”, completou esse “operário” do boteco, daquele que trabalha com as mãos, mas serve com o coração.

O ambiente pode ter mudado bastante, talvez reste as fotografias e as mesas da frente, mas a atmosfera permanece intacta em que um pequeno bar é suficiente para construir grandes recordações.

Bar e Lanches Colonial

Endereço: Rua Santa Madalena Sofia Barat, 401 – Bairro Alto, Curitiba.

Funcionamento: de terça a domingo das 11h às 20h.

Instagram: barelanchescolonial

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