O Centro histórico de Curitiba está brilhando com mais intensidade desde a última semana. E não foi por acaso. Na Alameda Cabral, esquina com a Praça Osório, ponto que carrega no asfalto a memória boêmia da cidade, abriu as portas o Consulado Central. Pequeno no tamanho, gigante na intenção.
Ele está exatamente onde precisa estar, na órbita do histórico Bar Stuart, prestes a reabrir suas portas, e de frente para o clássico Maneko’s, templo da resistência etílica-curitibana. Forma-se ali uma tríade que tem tudo para virar esquina obrigatória em que o turista procura e o morador defende.
Mas o Consulado não chega tímido. Ele já nasce com DNA de pura carisma e simpatia. A proposta é clara e transparente, a de resgatar a cultura de boteco com identidade, preço acessível e uma narrativa que dialoga com a própria formação da cidade.
À frente do projeto está Ewerton Antunes, empresário também responsável pelos bares Otelo e Gente Fina. Caçador de relíquias, louco do bem, o cascavelense é daqueles que conversam com garçons antigos para ouvir histórias, garimpa objetos e passa conhecimento. Inquieto assumido, enxerga o novo negócio como mais do que um investimento.
“Não é só dinheiro. A gente está participando de um momento do Centro. Daqui a 10, 15 anos, quando falarem dessa retomada, eu quero que o Consulado esteja nessa história”, disse Ewerton.
Ao lado dele, Maicon dos Santos, parceiro de sociedade, um jovem que brilha os olhos ao falar do Consulado Central, e a chef Cris, uma doçura de pessoa que costura memória com técnica na cozinha. “Não dá para fazer qualquer coisa aqui. Estamos de frente para o Maneko’s e ao lado do Stuart. É uma honra, mas é uma responsabilidade enorme. Tem que servir bem, com qualidade e preço de Centro”, comentou Ewerton que tem ainda na equipe, o Kelvin e a Andreia, e os garçons Giba, Jailson e Éder, e o barman Jadson.
Um bar que conta a cidade, estufa de acepipes e clássicos nacionais
O nome Consulado não é apenas estético. As paredes do pequeno salão exibem quadros que contam a origem dos povos que ajudaram a formar Curitiba e o Paraná, com os sobrenomes de famílias de portugueses aos espanhóis, alemães, poloneses, italianos e japoneses.
“A ideia foi trazer uma narrativa sobre quem construiu essa terra dos pinheirais. Cada povo deixou uma marca. O bar é um ponto de encontro, mas também é memória”, explicou o proprietário.
A ambientação mistura itens clássicos de boteco com elementos históricos. O resultado é um espaço compacto, quase íntimo, onde o balcão divide protagonismo com as paredes cheias de referências culturais.
Um dos diferenciais do Consulado Central é a vitrine de frios, pouco comum na capital paranaense. Nela, o cliente encontra vinagrete de polvo, marisco, lula à provençal e outros acepipes que podem ser montados em pequenos pratos para acompanhar a cerveja.
“Curitiba não tem muito essa cultura da estufa fria. A gente quis trazer essa possibilidade de petiscar, montar um pratinho, dividir, ficar mais tempo na mesa”, explicou Ewerton.
Entre as receitas afetivas estão os bolinhos de carne inspirados na Lanchonete Pé de Serra, em Morretes, um dos preferidos do empresário. Os sanduíches também carregam homenagens. O cardápio inclui o bauru tradicional do Ponto Chic, em São Paulo, com rosbife, queijo derretido, picles e tomate, e uma releitura do clássico do Cervantes, no Rio de Janeiro, com pernil e abacaxi. É espetacular, a cada mordida é uma lembrança do original na Cidade Maravilhosa.
Na estufa quente, a coxa-creme é destaque. Coxa de frango grelhada, batata cozida e amassada, e queijo, com osso na ponta, um clássico de boteco raiz. Além disso, o Consulado vai atender quem está no Centro para almoçar com opções mais em conta para o bolso comendo super bem. Só para ter uma ideia, o cardápio desta semana contou com galeto assado com polenta, peixe com batata sautée e nhoque. No sábado, feijoada que já chegou fazendo sucesso como também o caldinho de siri.
“O Centro pulsa no almoço, então também temos PFs. Prato rápido, preço popular e giro rápido”, avisou Ewerton. Ah, de sobremesa tem um pudim de “lata” que é pura arte, chega a ser excêntrico de tão gostoso.
Centro vivo e aposta no entorno
Abrir um bar no Centro, em meio à forte concorrência e ao crescimento do delivery, não é decisão simples. Ewerton reconhece o desafio, e valoriza a soma de forças entre os estabelecimentos vizinhos para transformar o endereço em novo polo gastronômico e cultural da cidade.
“É uma tríade forte. O Stuart voltando, o Maneko’s firme, e a gente chegando com uma proposta própria. Pequeno, mas sempre cheio. Essa é a ideia”, avisou Ewerton.
Com portas recém-abertas, o Consulado Central já nasce carregado de expectativa. E, como define o próprio dono, com a inquietude necessária para ocupar seu espaço.
“Eu sou inquieto mesmo, mas é essa inquietude que faz a gente continuar criando. E de loucura que não é pouca”, brincou Ewerton, o cônsul gente fina do Centro.
Consulado Central
Endereço: Alameda Cabral, 18, Centro
Horário de funcionamento: segunda a sábado das 11:00 às 22:00.
Instagram: consuladocentral
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