Muita gente cruza por ali todos os dias, entre um compromisso e outro, com o pensamento atravessando a cabeça de que “ainda vou entrar aí”. Nos fundos da prefeitura de Curitiba, no Centro Cívico, o Boteco São Jorge chama sem fazer alarde, despertando a curiosidade de quem passa. E quem resolve atravessar a porta encontra mais do que um balcão movimentado, descobre uma história feita de dedicação diária e de alguém que realmente acredita no que faz.

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Com sua entrada principal localizada na Doutor Lysimaco Ferreira da Costa, cercado por prédios que concentram poder e decisão, como o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, além da prefeitura e do Judiciário, o bar funciona como um contraponto à formalidade da região. É ali que o expediente termina de verdade, na conversa, cerveja gelada e televisores por todos os lados.

Por trás do balcão está Victor Alcântara, 45 anos, 13 deles dedicados ao próprio bar. Mas a história começou antes, e apareceu com naturalidade ao longo da vida. Natural de Santos, chegou a Curitiba ainda jovem, disposto a se virar. E se virou. “Curitiba me adotou e eu adotei Curitiba. Eu vim pra cá com 19 anos, gostei da cidade numa visita e fiquei. No começo fiz de tudo, sempre vendendo”, disse Victor.

Antes mesmo de pensar em bar, já entendia que o caminho passava pelo contato direto com as pessoas. Essa leitura se consolidou ao longo da trajetória profissional, com passagens por empresas como Ambev e Coca-Cola. “Desde moleque eu vendia coisa para ajudar em casa. Então não tem muito para onde fugir, você vira vendedor”, comentou o proprietário do Boteco São Jorge.

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Foi justamente essa bagagem que ajudou a moldar a decisão de empreender. O boteco não nasceu de um impulso, veio de uma lógica clara.

“Quando eu saí da Coca-Cola, eu precisava que o dinheiro girasse rápido. E o boteco tem isso. Giro diário. Eu até pensei em abrir uma mercearia, mas entendi que o boteco era mais a minha cara”, brincou Victor, que escolheu o santo em homenagem ao time de coração, o Corinthians.

Cerveja “piriguete”

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O Boteco São Jorge nasceu em 2013 e, desde 2018, ocupa o ponto atual. São cerca de 45 metros quadrados que funcionam com precisão de fábrica. Operação enxuta, giro constante e um cuidado que não passa despercebido.

Victor é daqueles que têm o sorriso fácil e é construtor de ótimas relações no boteco. Um dos segredos é citar o nome de cada freguês e até o horário em que costumam chegar no bar. “Eu faço questão de saber o nome das pessoas. Isso muda tudo. É muito melhor você chegar num lugar onde te conhecem”, afirmou Victor.

Uma das curiosidades é a venda exclusiva de cervejas pequenas, a de 300 ml. Com vários apelidos no Brasil, desde caçulinha, barrigudinha, cracudinha, romarinho, no São Jorge é denominada piriguete. “Virou marca da casa, e não está aqui por acaso até pelo meu espaço. É pura logística, pois chega gelada, não desperdiça, gira mais rápido, e para o cliente é melhor, cabe direto na caneca”, valorizou o proprietário. Outro destaque é o famoso bolinho de carne, receita do pai do Victor, o Manoel.

Alma de arquibancada

Pequeno por dentro, mas com alma de arquibancada, o São Jorge se revela logo nas telas espalhadas pelo salão. São sete televisões ligadas, transformando qualquer jogo em evento coletivo. Na Copa do Mundo, a ideia é virar um point raiz no Centro Cívico.

“A ideia é que a pessoa venha pra cá e assista todos os jogos. Eu queria colocar mais TV, só faltou parede. Aqui é pra viver o clima mesmo, não só ver o jogo”, admitiu Victor.

No boteco São Jorge, tudo se conecta com a experiência e convivência. O bar se constrói no dia a dia, e nas atitudes de receber bem cada cliente.

“Eu faço questão que as pessoas se conheçam, criem amizade. Boteco é isso, é vida”, completou o pai da Flora e da Olívia.

Boteco São Jorge

Endereço: O bar tem duas entradas, uma Doutor Lysimaco Ferreira da Costa e outra pela Rua Papa João XXIII, 279, Centro Cívico, Curitiba.

Funcionamento: terça à sexta das 18h05 às 23 horas; fim de semana das 16h às 22 horas.

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