Em Curitiba, madeira, chope e encontros dão forma ao Celeiro do Malte

O Celeiro do Malte, no bairro Bacacheri, em Curitiba, não tenta impressionar. Ele deslumbra qualquer um pelo aconchego. Um bar rústico, construído em madeira, com aparência de interior e alma de quintal de casa. Um lugar de amigos em que a sintonia é leve desde o momento que encosta o cotovelo no balcão ou percebe que o sorriso do dono é um convite a longa permanência. As pessoas dão risada, conversam, brindam e choram, é um bar de verdade. No Celeiro, a vida comprova que merece ser compartilhada.

À frente de tudo está Caio Junior, natural de Presidente Getúlio, em Santa Catarina. Poucos sabem que Caio nasceu Wilson Beckhauser. O nome artístico ficou no rádio, o nome de batismo, na memória. “Hoje, se alguém me chamar de outra coisa que não seja Caio Junior, eu nem dou atenção. Esse nome já está absolutamente presente na minha vida.” No Celeiro, porém, mais importante que o nome é a presença.

Caio cresceu em uma família de origem germânica, típica de cidade pequena, onde se falava alemão dentro de casa e o trabalho começava cedo. Aos 14 anos, era estofador, e aos 17, virou radialista. E nunca mais parou. “Eu sabia que podia narrar um jogo, apresentar um programa, fazer rádio. Isso estava claro em mim desde criança”, disse o gentuliense.

Depois de passar por emissoras do interior catarinense, Caio veio para Curitiba no início da década de 1990, em busca de crescimento profissional. Foi recusado, ouviu que rádio grande só contratava gente famosa. Anos depois, narrava justamente na emissora que o dispensou, a extinta Rádio Cidade, AM 670. Com passagens por várias emissoras, o destaque ocorreu quando foi narrar na Banda B. Na sequência, passou por outros prefixos e hoje segue passando emoção aos ouvintes em locuções esportivas, sem deixar de lado o bar inaugurado em fevereiro de 2018.

O empurrão para abrir o Celeiro veio de casa com o filho Gustavo, então com dez anos. “Ele perguntou se eu tinha desistido da ideia. Eu disse que não, mas que não tinha achado um lugar legal. Ele olhou para o terreno de casa onde tinha uma casa na árvore e foi direto ao falar. Por que você não faz aqui? A minha casinha você faz em outro lugar”, recordou Caio.

O bar funciona como extensão do próprio dono. Comunicação sem microfone, sem vinheta e sem roteiro. No Celeiro, histórias são contadas no balcão, risadas surgem sem aviso e o silêncio, quando aparece, é confortável. “No rádio você entra na casa das pessoas. Aqui, elas entram na sua vida, contam de tudo. Eu gosto de gente, do olho no olho, da conversa. Acredito que as pessoas buscam isso, elas querem ser acolhidas em um mundo cada vez mais virtual. Você pode pegar aqui um growler das minhas cervejas e tomar em casa, é legal também, mas estar aqui é diferente”, reforçou o dono que tem a ajuda do polivalente Anderson.

Aconchego para a alma

O bar é todo de madeira, um cenário de filme em que o cliente vira protagonista ao lado da cerveja. É puro aconchego. O ambiente é rústico, tranquilo e humano. Um balcão que remete ao velho oeste, mesas simples, objetos cheios de história, violão disponível para quem quiser dedilhar, canecas antigas, rádio que atravessa gerações. Nada é decorativo por acaso. Tudo tem memória.

São 11 torneiras de cervejas artesanais, escolhidas com rigor. “Antes de colocar uma cerveja aqui, eu quero conhecer a cervejaria, a proposta, saber se a qualidade vai se manter.” Nada entra por moda. Tudo entra por convicção”, cravou Caio Junior.

O Celeiro tem rótulos próprios, receitas da casa que só se encontram ali. Duas no estilo Munich, a Dunkel (escura) e a Helles (clara), a APA, e logo terá a IPA da casa. “A IPA é para comemorar os oito anos de casa”, comemora o narrador/botequeiro.

O cardápio acompanha a identidade germânica com torresmo de rolo com pepino agridoce da casa e broa de centeio, bockwurst, bratwurst, calabresa acebolada, alcatra, batatas, mandioca, joelho de porco defumado. Bem-feito, honesto, sem firulas e com sabor.

“Eu me sinto mais completo aqui, me comunico, produzo, escuto e acolho. Se eu não tivesse aberto o Celeiro do Malte, seria uma experiência que eu não teria vivido”, completou Wilson, ou melhor, Caio Junior, o narrador que “já deu boa”.

Talvez seja isso que defina o Celeiro. Não é só um bar, é um lugar onde a cerveja aproxima, a conversa cura.

Serviço: Celeiro do Malte

Endereço: Rua Valparaizo, 391 – Bacacheri, Curitiba.

Horário de funcionamento: terça a sexta-feira das 18h às 23h30

 Instagram: celeirodomalte

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