No simpático bairro São Francisco, em Curitiba, dois amigos transformaram uma ideia em um bar de acepipes, cerveja gelada e releituras de clássico de boteco. Com uma proposta simples, a de resgatar o prazer de botecar, bem-vindo ao CoMCerva Bar de Acepipes, na Alameda Princesa Izabel.
Por trás do balcão estão Felipe Bonamin Munhoz da Cunha e Rodrigo Eduardo Tavares de Macedo. Entre cervejas, churrascos e futebol, surgiu a ideia de um dia fazerem alguma coisa juntos. A conversa demorou alguns anos para virar realidade, mas não foi esquecida. Há quatro meses, o bar foi inaugurado, e já demonstra estar preparado para ser o destino de curitibanos.
Felipe já conhecia o caminho ao estar à frente do Galo Manco, hoje bar do Canto na Prudente, e advogado por formação; Rodrigo, psicólogo, tem na família o DNA de comerciante das antigas em que a conversa e o bom atendimento afinam o caminho das vendas.
Quando a ideia saiu do papel, uma coisa estava definida: não seria simplesmente mais um bar de Curitiba. Rodrigo resume o pensamento de forma direta: “Se for para abrir um boteco para servir batata frita, porção de calabresa, polenta frita, eu estou fora. Nada contra, mas o propósito é ter um ambiente com personalidade e identidade”, afirmou.
A experiência de frequentar bares no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais ajudou a formar essa visão. Os dois queriam trazer para Curitiba um pouco daquela cultura de boteco em que os acepipes têm papel central, ou seja, comida pequena, saborosa, compartilhada, feita para acompanhar a cerveja e a conversa. Uma das inspirações é o clássico Adega Pérola, no Rio.
“É uma proposta que eu acho que combina até com os tempos atuais, né? O pessoal aí tomando Mounjaro, não pode ir na fritura, né? As conservas fazem bem à saúde, um alimento bem digerido, ajuda na digestão, um conservante natural. É leve, uma comida feita para você beliscar, e cai muito bem com uma cerveja gelada”, explicou Rodrigo.
Essa relação com a conserva e a alimentação, ajudou a dupla a definir até mesmo o nome do bar. “Conserva nos traz um significado importante, amplo e assertivo para nossas vidas. A minha troca de carreira, a minha transição foi sempre pensando em fazer algo que gostava. Sabe aquela coisa quando os pais orientam, e se fazer algo que gosta para a vida? Então, a gente vive, busca, e aprende a cada momento. O ComCerva é um lugar aconchegante, um boteco que se perpetue no tempo, que nos conserve. Espero do fundo do coração que esse resgate da boemia curitibana venha, fazemos o simples e muito bem-feito, é raiz”, definiu Felipe.




O que chega à mesa
O mix de conservas é praticamente o cartão de visitas da casa. Os ingredientes ficam marinando em azeite de ervas e chegam acompanhados de pão. A marinada de cogumelos também está entre os destaques.
Nos sanduíches, aparecem releituras de clássicos como o Cervantes, homenagem ao tradicional bar carioca, e o Bauru Paulista, inspirado no Ponto Chic. “A gente faz aqui com lagarto fatiado, não usamos o rosbife, tentamos seguir os ingredientes da receita. Lançamos faz duas semanas, e caiu muito bem no gosto, acho que são dois sanduíches que vale a pena ser experimentados”, sugeriu Rodrigo.
A casa também aposta nos pinchos, pequenas preparações de inspiração espanhola. E aí Curitiba ganha espaço: o de carne de onça é um dos mais pedidos. Também há versões com tomate e aliche, cogumelos e linguiça Blumenau. Outra curiosidade é a própria alternância do cardápio, ou seja, cada dia pode ter uma novidade. Aliás, vale parabenizar a cozinheira Ana Carolina Serpa, uma tranquilidade que merece ser destacada.
Para acompanhar, tem chope Brahma, cervejas tradicionais e opções premium, além de IPA, cerveja sem álcool, cachaça e drinques. Uma das atrações é a Caipirinha da Bodega, servida em pote de 550 ml que o cliente leva para casa. A ideia de que o cliente prepare uma nova conserva no “potão”.




Mais que cliente, amigo
Uma das grandes características do lugar é informalidade. Mesas no lado externo, clima de amizade e resenha. A famosa identidade botequeira, um instrumento democrático em que o bar serve como ponto de encontro, onde pessoas diferentes se sentam juntas, conversam, dividem acepipes, e voltam porque se sentem parte do lugar, está no carimbo do CoMCerva.
“Uma das coisas que fico mais feliz, além de fazer aquilo que gosto, é sempre ver o sorriso ali na cara do nosso cliente, do nosso amigo, uma avaliação positiva no Google. Isso deixa a gente encantado, são horas trabalhando, horas em pé, e esse reconhecimento é impagável”, completou Felipe.



Serviço :CoMCerva Bar de Acepipes
Endereço: Alameda Princesa Izabel, 455 – São Francisco, Curitiba
Funcionamento: terça a quinta, das 17h às 23h; sexta e sábado, das 17h às 0h00.
Instagram:comcervabar.cwb
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