Viajar pela Copa do Mundo de 2026 significou cruzar 12 cidades entre o México e os Estados Unidos. O roteiro passou pela Cidade do México, Nova Jersey, Nova Iorque, Long Island, Filadélfia (Pensilvânia), Charlotte (Carolina do Norte), Savannah (Geórgia), Daytona, Orlando e Miami (Flórida), Nova Orleans (Louisiana) e Houston (Texas), e tantas outras que passei e não entrei.
Entre estádios lotados, quilômetros de estrada com o motorhome e o caos aéreo, uma conclusão ficou evidente: bar é tudo igual em qualquer canto do mundo. Muda o idioma, a moeda e altera os costumes, mas a essência de buscar por cerveja, petisco gorduroso e uma boa resenha persistem.
Em todos os bares que frequentei, sempre tem alguém atrás de um balcão servindo um bom gole, um cliente mais exaltado pelo álcool ou mesmo aquele amigo “serrote” que toma todas e não tira o “escorpião” do bolso. “É Guerra, Copa do Mundo é Guerra”, gritavam os brasileiros mais eufóricos. Vale aqui um adendo, gritar nem tanto, ronquidão pura na sofrida garganta da turma.
México tem alma de boteco brasileiro
Se existe um lugar que mais lembra o clima dos bares brasileiros, esse lugar é o México. Os botecos mexicanos têm calor humano, atendimento próximo e uma preocupação genuína em agradar quem chega.
Tequila, quesadillas (tortilhas com queijo), tostadas (tortilhas crocantes com carne, feijão e creme), chicharrón en salsa verde (pele de porco frita mergulhada em molho), esquites e tacos com muita pimenta fazem parte da experiência, mas nada disso assusta. Pelo contrário. Tudo combina com a hospitalidade dos mexicanos, sempre prontos para indicar um prato ou sugerir uma bebida.
Foi perto do Santuário de Guadalupe que encontrei um dos lugares mais curiosos da viagem: um boteco na tradicional La Villa Garnacha. O ambiente reunia petiscos, música, vendedores ambulantes circulando pela calçada, um antigo boneco do Telecatch espalhando nostalgia e até uma banca de jornais recheada de revistas para todos os públicos. Um cenário que poderia facilmente existir em qualquer bairro do Brasil servindo a tradicional Corona.
Nos Estados Unidos, cada bar parece um cenário de cinema
Cruzar os estados americanos foi como entrar em produções cinematográficas. A sensação era de que cada bar já havia servido de cenário para algum filme ou série de televisão.
Os tradicionais balcões largos de madeira, clientes sentados em bancos altos, dezenas de chopeiras alinhadas, copos personalizados, bandeiras dos Estados Unidos espalhadas pela decoração e televisões exibindo esportes fazem parte do pacote. Nem sempre os atendentes são extremamente simpáticos, mas o dono do estabelecimento aparece com um sorriso no rosto para dar as boas-vindas.
O cardápio de bebidas muda conforme o estado, assim como as cervejas artesanais e os rótulos locais. Para quem gosta de conhecer novos sabores, cada parada oferece uma descoberta diferente. A cidade ideal para isso é a calorosa Nova Orleans, na lendária Bourbon Street, famosa por sua vida noturna vibrante. Estendendo-se por 13 quarteirões, a rua é o berço do jazz e um dos lugares nos EUA onde é permitido consumir álcool na rua É um polo de festas, bares e música ao vivo, com coquetéis clássicos da cidade como a Hand Grenade ( melhor não saber o que vai no gole – tomei dois e fiquei daquele jeito).
Vale destacar um dos bares que adorei estar nessa viagem. O Crystal Beer Parlor é um dos estabelecimentos mais icônicos e carregados de história em Savannah, Geórgia. Aberto originalmente em 1933, logo após a revogação da Lei Seca americana, ostenta o título em operação contínua mais antigo da cidade. Um balcão imenso e aquele clima de filme. Aliás, em Savannah, foi cenário do filme Forrest Gump – O Contador de Histórias.
A famosa gorjeta pesa no bolso
Uma diferença importante em relação ao Brasil aparece na conta. Nos Estados Unidos, a tradicional tip, a famosa gorjeta, faz parte da cultura.
Em muitos bares, ela já vem inclusa automaticamente no valor final. Em outros, o cliente escolhe quanto deseja acrescentar, normalmente entre 18% e 25% da conta.
Para quem viaja com o real desvalorizado diante do dólar, esse detalhe faz bastante diferença no orçamento. No fim das contas, a gorjeta acabou pesando tanto quanto algumas rodadas de cerveja.
Da fritura ao melhor churrasco da viagem
Comer bem nunca foi um problema durante o roteiro da Copa. Os bares americanos oferecem desde os tradicionais frangos fritos, bolinhas de queijo, batatas e hambúrgueres gigantes até pratos típicos de cada região. Mas nenhuma experiência superou o Texas.
Foi em Houston que provei uma das grandes estrelas da culinária americana: o tradicional brisket, conhecido por muitos brasileiros como peito bovino defumado. Depois de horas no defumador, a carne ganha uma textura extremamente macia, sabor intenso e um aroma marcante que dificilmente se esquece. Também fazem muito sucesso as costelas de porco (pork ribs), o porco desfiado (pulled pork) e as salsichas artesanais (como a de jalapeño com cheddar).
Para quem gosta de churrasco ou está longe de casa por muitos dias, é praticamente uma parada obrigatória. A indicação é no The Pit Room, um lugar popular com preço super justo.
No fim, o balcão sempre aproxima as pessoas
Independentemente da cidade, do país ou da língua falada, os bares continuam cumprindo o mesmo papel. São pontos de encontro onde torcedores comemoram vitórias, lamentam derrotas, fazem amizades e colecionam histórias.
Foi assim na Cidade do México. Foi assim em Nova Iorque, Long Island, Filadélfia, Charlotte, Savannah, Daytona, Orlando, Miami, Nova Orleans e Houston.
No fim das contas, não importa se o copo está cheio de chope, tequila ou o clássico Campari. O que realmente faz um bom boteco é aquilo que nunca muda: gente reunida, boa comida, conversa solta e histórias que valem outra rodada. Que venha 2030 em Portugal, Espanha e Marrocos. Aqui vai um agradecimento especial ao grupo Os Infaltáveis, torcida que acompanhou todos os jogos do Brasil. Siga eles no Instagram ( @0s_infaltaveis)
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