Na Avenida Anita Garibaldi, a principal artéria do bairro Barreirinha, em Curitiba, existe um endereço que não grita para chamar atenção. Ele pulsa. Construído em madeira, plantas por todos os lados, carpas e trilha sonora de rock clássico, o Anita Restaurante e Petiscaria é daqueles lugares que não nasceram prontos. Foram sendo moldados com o tempo, com erro, acerto, história e gente.

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Tudo isso tem nome e sobrenome: Sérgio Luiz Todeschi. Curitibano da Barreirinha, caçula de três irmãos, filho do seu Luiz Antônio e da dona Bernadete, Sérgio não escolheu o bairro por estratégia comercial. Escolheu por pertencimento. Com 42 anos de vida e 17 atrás do balcão, cozinhando, criando e sendo o anfitrião, esse piá frequentou colégios da região e conhece os vizinhos pelo nome. “Sou com orgulho um piá da Barreirinha. Eu respiro isso aqui”, disse Sérgio.

Antes de viver de gastronomia, Sérgio seguiu um caminho improvável para quem hoje comanda uma das cozinhas mais respeitadas da região norte de Curitiba. Formado em Telecomunicações, trabalhou na Embratel, com carteira assinada e estabilidade. Mas o sonho sempre esteve em outro lugar: “Ou eu fazia o curso, ou eu abria um restaurante. E eu fui na cara e coragem”, desabafou Sérgio.

O aprendizado veio na prática, e naturalmente com alguns equívocos. “Tudo que eu aprendi foi na porrada mesmo. Errando. Meu curso é a boca do fogão. No começo, o maior desafio não foi cozinhar, foi manter padrão. Você cria um prato hoje e amanhã tem que reproduzir igual. Mesmo tempero, mesma qualidade, e ainda cobrar por algo que você inventou”, afirmou Sérgio.

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Aliás, um vacilo em uma feijoada ainda é motivo de risada. “Errei uma feijoada uma vez que derreteu. Virou um caldinho de feijão, e até hoje eles acham que foi proposital”, brincou o proprietário.

Imóvel com mais de 90 anos

O primeiro Anita era minúsculo com quatro mesas, família inteira trabalhando e muita vontade. O endereço atual surgiu quando Sérgio transformou uma casa da década de 1930 em restaurante/bar, pertencente a família da ex-mulher, a Elisângela. Abriu paredes, construiu o deck com as próprias mãos, criou o cantinho de peixes e decidiu que cada detalhe teria um motivo.

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“O rock entrou como identidade clássica, sem exageros, sem tanta caveira. É a minha marca com uma decoração legal, um volume bacana, e foi se transformando ano a ano para chegar hoje nestes 17 anos de Anita valorizando o bairro sem deixar de lado a qualidade”, comentou Sérgio.

Mais do que servir cerveja gelada (como ele diz, “todo mundo vende”), o foco sempre foi a comida de boteco bem-feita, capaz de receber crianças, adolescentes, adultos e idosos na mesma mesa. E é justamente aí que surgem as histórias que só boteco de bairro tem.

“Clientes que chegaram grávidas, depois com bebê conforto, depois com crianças correndo entre as mesas, e que hoje voltam adultos, alguns com namorada. Teve esses dias o filho com o pai aqui. Ele ao completar 18 anos, veio comer rollmops e tomar uma cerveja como uma forma de brindar a vida adulta. Você percebe que faz parte da vida da pessoa. Isso não tem preço” ressaltou o fã do AC/DC.

Além de itens relacionados ao rock, o Anita tem objetos históricos usados na 2ª Guerra Mundial por Pedro Chapanski, o avô da Elisângela, e cartas enviadas a família quando o soldado estava na Itália. “Infelizmente, ele não conseguiu ver o bar pronto. Ele foi um herói de guerra e merece essa homenagem”, comentou Sérgio.

O que pedir no Anita?

No Anita, o cardápio carrega a mesma lógica do lugar: nada é por acaso. A alcatra é a especialidade da casa junto com o combinado Anita que chega com coração, alcatra, polenta e batata. Outra dica são os sanduíches que carregam um molho especial contando ainda com barbecue que é de lamber os dedos.

Para os fãs do torresmo, pedir o rolo é obrigação. Com duas opões de tamanho, o petisco chega na mesa bem apresentado com pimenta biquinho, limão e o delicioso barbecue. É crocante, gostoso e bem sequinho.

“O torresmo de rolo Anita dá uma trabalheira danada, mas não tenho preguiça. É a barrinha de cereal dos botecos”, ironizou Sérgio.

Com 15 colaboradores, o Anita funciona como restaurante no almoço e bar à noite. Mas o que sustenta a casa vai muito além da música ou do prato bem servido, são as pessoas e o envolvimento com o bairro.

“Estou exatamente no coração da Barreirinha. Sou fã da minha região, busco ajudar a todos. A região norte tem potencial, demorou muito para a galera acreditar nisso. Confesso que sou prova, eu vi no meu dia a dia como isso foi difícil”, completou Sérgio, o piá botequeiro da Barreirinha, que tem a colaboração da Liana,Arineia, Maria, Adriano Teia, Rodolfo, Genova, Valéria, Ana, Neia, Alexandre, Manu, Marcelo
Patrick, Geovane, Lucas, Juliana, Luiz e do Rodolpho

Mais do que um boteco bem-feito, o Anita é memória compartilhada, convivência diária e identidade construída com o tempo. É território afetivo, é boteco pulsante e cheio de vida.

Anita Restaurante e Petiscaria

Endereço: Av. Anita Garibaldi, 4596 – Barreirinha, Curitiba.

Horário de funcionamento: segunda a sábado com almoço das 11h30 às 14 horas; terça-feira aos sábados das 18h às 23h15.

Instagram: anita_restaurante

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