Na semana passada, o Fantástico fez uma reportagem sobre as composições sertanejas. É impressionante como o número de artistas nos últimos anos cresceu assustadoramente e, consequentemente, novas músicas são lançadas constantemente. Esse é o ponto positivo, mas também traz o seu lado negativo.

A reportagem constatou que os hits sertanejos são extremamente momentâneos e que, na mesma velocidade que caem na boca do povo, também vão para o esquecimento.

O exemplo principal citado foi Jenifer, de Gabriel Diniz. A canção, que chegou a ser a mais tocada disparada em janeiro, hoje já não está entre as 30 mais do Spotify. Uma queda bruta e que se repete com outras músicas constantemente. Alguém aqui lembra dos sucessos de abril do ano passado? Ou até mesmo do final de 2018? O consumo musical hoje é muito rápido. E em todos os segmentos. Só que o sertanejo, pelo crescimento de interesse, chama mais a atenção.

Na mesma reportagem do Fantástico, os compositores de Jenifer contaram que a ‘receita’ para uma composição bombar é ser uma música chiclete, aquela que rapidamente o consumidor já grava na cabeça. “A pessoa quer ouvir a primeira vez e na segunda já estar cantando”, foram as palavras de um deles.

E, de fato, é isso que vem se tornando um sucesso. Ele emplaca rápido porque tem uma batida agradável e uma letra com rimas fáceis, sem dar ‘trabalho’ para ouvir.

Não estou querendo dizer aqui que o sertanejo caiu de qualidade e que não se fazem músicas tão boas como antes. Longe disso. Eu até sou suspeito para criticar, pois o estilo musical é o meu favorito. Mas, de fato, os hits que mais pegam recentemente são passageiros, com as mais trabalhadas na hora de serem escritas, aquelas que marcam o momento de uma pessoa, que significam algo quando a escuta, ficando em segundo plano.

Talvez seja apenas um momento. Ou mostra que canções, pra estourarem, não são mais para refletir, mas sim para divertir.

Shows

Sábado, Marcos & Belutti retornam a Curitiba e se apresentam na Rodeo Country Bar.