A derrota do Athletico por 1×0, em Toledo, pode ter causado impacto na paixão, mas não na razão. É que essa, para ser abalada precisa ser apanhada de surpresa. E, quando um campeonato por não ter a mínima qualidade técnica, obriga-se a escolher o campeão pela sobra, nada é inesperado e, por isso, nada surpreende.

Os atleticanos, que ainda não alcançaram a idade da razão, estão sob o impacto da surpresa com essa derrota em Toledo. É que foram ver o jogo com a memória e os sentimentos carregados pelas imagens do Atletiba.

Já fui desse tempo. Apanhei e aprendi que algumas imagens, logo que deixam de ser reais, provocam perigosas ilusões. Em Toledo, o elemento passional que ambienta um Atletiba, e a influência da Baixada, que foram fatores compensatórios dos limites do time no Atletiba, não estavam presentes.

E, se não fosse o bastante, inexplicavelmente, estava ausente a o zagueiro Paulo André. A falta que fez Paulo André não foi só porque a sua ausência obrigou o Furacão a correr o risco de se defender com Bambu e Zé Ivaldo. A falta da sua figura imponente e soberana, em campo, foi decisiva para o Athletico ser vítima da falta de lucidez do comando de banco.

Por tudo isso, o Athletico despachou para Toledo, um time mal escalado, desalinhado taticamente, e com a maioria dos jovens jogando com soberba, como se ganhar nesses tempos do Coritiba, já fosse motivo de plena realização.

E, chegando, em Toledo, esse Furacão não teve sequer a vontade de se animar com as carências locais. A exceção, é verdade, de Khellven e Lucas Halter, mas, em especial de Erick, o Furacão foi uma negação com a bola ao seu dispor.

O castigo, que veio da forma mais cruel que existe no futebol, que é o gol no final do jogo, foi absolutamente justo. Injusto seria premiar a falta de comprometimento do Athletico com esse jogo em Toledo. Foi para lá pensando que era Furacão de Tiago Nunes.

Eu sei e concordo: domingo, na Baixada, será diferente. O sentimento é o de que o Athletico vai ganhar o jogo, ganhar o título, e vestir a faixa de bicampeão.

Mas, para não ter nenhuma surpresa, é preciso viver uma semana respeitando a razão.

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