O Athletico formalizou com inscrição na CBF as contratações do zagueiro Pedro Henrique e do meia Richard, do Corinthians. Teria dado pressa ao negócio, em razão de que a suspensão da FIFA, por força do caso Rony, não foi implementada. O advogado do Albirex, do Japão, afirma que o Furacão já está suspenso e não pode contratar.   

Uma coisa é aceitar a inscrição e outra coisa é se responsabilizar por ela. A simples inscrição não significa, necessariamente, que a condição do jogador esteja legal, podendo um terceiro clube se opor a ela. 

Quantas vezes um clube foi penalizado pela Justiça Desportiva, pelo uso de um jogador regularmente inscrito. Como exemplo clássico recente está o caso do J. Malucelli que foi rebaixado pelo Superior Tribunal de Justiça, mesmo tendo o seu jogador autorizado pelo registro da Federação Paranaense de Futebol e da CBF.   

No Brasil, não há aplicação do Direito Esportivo. O que se aplica aqui é a Justiça Esportiva. É uma justiça operada por advogados torcedores, cujo código é dirigido pelas circunstâncias e interesses do momento, e pela cor da camisa. O que pode ser legal para o Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, pode não ser para o Athletico. Eu passei um bom tempo da minha vida nesses tribunais.  Eu sei como a coisa funciona.

Certa vez, Mário Celso Petraglia me pediu para ir defender o Athletico, pela contratação de Kleber “o Incendiário”, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva.  Fiz uma defesa inesquecível e voltei todo feliz. Fui ter com Petraglia e perguntei: “O que você achou da minha vitória?” Ele respondeu: “Quem tem padrinho, não morre pagão”. E, daí me levou para jantar no Île de France.  

O Athletico que trate de resolver a sua vida na FIFA para não depender do conceito que CBF e os tribunais de justiça adotam sobre legalidade. 

Preço do erro

Um eventual lucro que o Athletico tenha com o negócio de Rony, mesmo sendo obrigado a indenização de R$ 6 milhões, já está se esgotando. Obrigou-se a antecipar gastos com Pedro Henrique e Richard adquirindo-os ao Corinthians, e teve que prorrogar os contratos de Jonathan, Márcio Azevedo e Lucho González, que não custam baratos, o que não ocorrida em situação normal.