Devagar com o andor que o santo pode ser de barro, dirão os cautelosos. Saí da Arena com uma certeza: já não sei quem tem o santo de ferro. É que valorizamos demais os nossos erros não apenas por eles existirem, mas porque imaginamos que os outros são perfeitos.
Antes mesmo do gol contra de Roger, já era possível sentir que o Atlético estava projetado para fazer um grande jogo. Embora simples, o esquema de Vadão foi perfeito para enfrentar a tradicional marcação gaúcha: movimentação, troca contínua de posições entre Adriano, Rodrigo e Fabricio, revezamento no apoio entre Ivan e Alessandro e de funções entre Ilan e Dagoberto. Mas tudo isso só foi possível porque todos, sem distinção, jogaram com vontade a partir da liderança de Leomar.
O Atlético ganhou de dois a zero e não foi por casuísmo, como admitiram alguns. Gols perdidos como Cristian perdeu, inclusive de pênalti, fazem parte do jogo. Ganhou porque foi perfeito no aspecto tático, provocando lembranças do carrossel que Vadão criou em 2000, trânsito mandamental para o retorno do “Furacão” em 2001.
Como foi um jogo de lembranças, o menino Rodrigo lembrou Kelly. Foi o melhor em campo. Mais tarde fiquei a pensar sobre a ausência de Cocito. Perguntei-me: com Leomar não ficou melhor?
Devagar com o andor que aí sim o santo é de barro.
Empate
Deixar de ganhar no final do jogo, na casa do adversário, gera a princípio a sensação de perder. Mas não é isso que os “coxas?? devem sentir. Em nenhum momento o time alviverde jogou tendo como objetivo imediato criar situações para ganhar do Flamengo. Excluindo Lima para aumentar o poder de marcação, o treinador Bonamigo mostrou que a prioridade era não perder. A vitória seria conseqüência mais dos erros do Flamengo, que viriam.
Tanto é verdade, que foi a partir da entrada de Lima que o Coritiba passou a dominar o Flamengo, até a marcar. Mas, contradizendo o excesso de jogadores de marcação, deixou Felipe trabalhar várias jogadas, até que no final veio o empate, 1×1.
O resultado foi bom, mesmo porque, com a seqüência do trabalho de Nelsinho, o Flamengo não continuará tão ruim.