No Monumental de Lima, Flamengo 2×1 River Plate. Flamengo bicampeão da Libertadores. 

O futebol, também, se explica, como uma metáfora da vida.  O seu sentido, às vezes, busca no imponderável, a justa solução. Se o jogo de Lima consagrasse o River Plate como tetracampeão da Libertadores, estaríamos aqui, rendendo-nos ao justo.   

É que não só ganhava do Flamengo desde aos 14 minutos do 1º tempo com o gol de Borré, como era brilhante. Sob qualquer ângulo que se olhasse o jogo, seja tático e, em especial técnico, os “Millonários” reduziam o Flamengo ao estágio de ingenuidade. 

Mas, o futebol, por viver de excessos (daí ser uma espécie de metáfora), salvou o Flamengo com uma contradição. Quando o Flamengo aumenta a sua crise técnica pelos de passe, o talentoso Gerson foi substituído por Diego. 

A partir daí, já com o jogo sendo encaminhado para o final, o Flamengo foi o Flamengo de Jorge Jesus. Talvez, adotando o princípio fundamental de Jurgen Klopp, técnico do Liverpool, no qual os jogadores precisam correr dez metros a mais para exercer a pressão.  Com Diego, Arrascaeta foi liberado, e criou o lance para Gabriel empatar, aos 43 do 2º tempo.  

O imortal Cruyff ensinou ao seu Barcelona que, em uma decisão de jogo único, quando se resgata uma derrota quase consumada, os contrários são fragilizados. Com o empate, o River, perdido em campo, fez o errado: em vez de jogar mais 30 minutos de prorrogação, quis jogar mais cinco. Era o que o Flamengo queria para Gabriel fazer o gol do título, 2×1. Um gol vindo do “além”, como escreveria o nosso escritor José Carlos Fernandes. 

Uma final de jogo único é o que pregava o técnico alemão Josef “Sepp” Herberge, antes de Alemanha 3×2 Hungria, em 1954, no “Milagre de Berna”: “A bola é redonda, o jogo tem 90 minutos, tudo o mais é pura teoria”.