A cena é tão forte, que embora recente já se tornou uma lenda. Roberto Jefferson, encarando José Dirceu, disse: “Sai rápido daí, Zé. Sai rápido. Sai daí logo, antes que você faça réu um homem inocente”. Por acreditar no seu poder, José Dirceu não seguiu o conselho. Condenado pelo STF, terá que se submeter a algum regime prisional.

É mais ou menos isso que está ocorrendo no Atlético. Cid Campelo Filho não concordou com o fato de Mário Celso Petraglia, dos 30 milhões de reais do dinheiro que o clube recebeu do poder público, tenha destinado 7 milhões para o seu filho, escolhido pelo próprio pai para fornecer as cadeiras para a Baixada. Pagou-o sem contrato, com simples autorização. A obrigação entre a CAP/SA, presidida por Petraglia pai, e a empresa Kangoo, de Petraglia Filho, é de 12 milhões de reais. O mais grave é que houve tomada de preços de outras empresas. A mais cara era a de Petraglia Filho. O arquiteto primo recebe 270 mil reais por mês.

Cid Campelo deu prazo para Petraglia renunciar. Se até a próxima terça feira não o fizer, irá denunciá-lo ao Ministério Público. Não tem mais acerto, por que as ilicitudes foram escancaradas ao público. Por isso, Cid Campelo Filho é o Roberto Jefferson e Mário Celso Petraglia o Zé Dirceu do mensalão do Atlético. Só que com uma diferença: enquanto Jefferson confessou que recebeu 4 milhões do PT de Zé Dirceu, Cid o faz por ideal e amor ao seu clube. Ao denunciar a destinação de dinheiro público ao filho e ao primo de Petraglia, e exigir a sua imediata renuncia, Cid Campelo Filho tenta salvar o Atlético da insolvência futura, da perda da Baixada e do CT do Caju, na execução das garantias.

Bem que Campelinho poderia continuar repetindo Jefferson e dizer: “Tirei a roupa do rei, mostrei aos atleticanos quem é esse fariseu”. Mas não dirá, porque não quer ser herói. Ele quer apenas agir como um atleticano que quer preservar o Atlético como um valor da vida do povo. Os atleticanos devem apoiá-lo.

Hoje só citei fatos. Segunda-feira darei a minha opinião. Mas antecipo a conclusão: sai rápido daí, Petraglia. Sai rápido. Sai daí logo, antes que você quebre o Atlético. O Ministério Público não deve esperar a denúncia formal. O fato público lhe dá causa motivada e legitimidade para adotar providências.

O caso é de polícia.