Quando foi provocado para explicar a razão da Holanda relevar mais jogadores como os que formaram a “Laranja Mecânica”, Johan Cruyff: o futebol vive de ciclos, que demoram para se repetir e, quando se repetem, nunca são iguais. 

Nessa lição há uma verdade tão profunda, que se mantém atual. Quando se esgota o ciclo de uma geração vencedora, o próximo nunca é imediato. Da última geração vencedora do Furacão, só restou o goleiro Santos, porque Nikão já chegou rodado.  Foram embora Robson Bambu, Léo Pereira, Bruno Guimarães, Pablo e Renan Lodi. 

Quando ocorrerá o novo ciclo? Pelo que jogou no Estadual, na geração atual não se pode fazer nenhuma aposta sem riscos. Bem por isso, o Furacão irá envelhecer no Brasileiro com Santos (29), Jonathan (34), Felipe Aguilar (27), Thiago Heleno (31) e Adriano (35), Wellington (29), Erick (22), Nikão (27), Geuvânio (28), Carlos Eduardo (23), Walter (30), Márcio Azevedo (34), Lucho Gonzalez (39) e Marquinhos Gabriel (29). 

O fim da geração campeã e que foi embora obriga o Furacão a envelhecer, coincidindo com a peste. As coincidências, às vezes, provocam questões importantes. Com o estádio fechado, descarta-se a influência da torcida. Sem a exigência da arquibancada, a superação para compensar deficiências, nunca é alcançada. A concentração psicológica do jogador, se em qualquer circunstância já era relevante, agora, vai se tornar decisiva. E os “velhos”, por força da experiência, têm essa virtude que chamamos de maturidade, que evita a desconcentração.

Lembro do pensamento do tribuno Marco Túlio Cícero no seu “Saber envelhecer” de que “a natureza dota cada idade de qualidades próprias”.