Ao justificar os fracassos do Athletico, no Brasileirão, assim falou Mario Celso Petraglia: “Estamos há décadas no futebol e ainda não aprendemos a fazer milagres, estamos reformulando nosso time em 2020 em razão da saída de 16 atletas do nosso grupo principal. Os vendidos não quiseram mais ficar, criaram casos e pressionaram a nível insustentável”. 

Em 280 caracteres, Petraglia mostra bem o seu caráter de cartola. Já se sabia que era um ilusionista que, no conceito ampliado, encampa a mentira. Mas, agora, mostra o lado covarde de sua personalidade de dirigente. Ao afirmar que “os vendidos não quiseram mais ficar, criaram casos e pressionaram a nível insustentável”, transfere para Renan Lodi, Rony, Bruno Guimarães, Léo Pereira e Bambu, a responsabilidade pela decomposição do time. 

Não há outro tratamento que se possa oferecer ao cartola, a não ser esse: covarde, aqui, no sentido de que pratica intencionalmente um ato (cessão de direitos de jogador), e depois, atribui responsabilidade a quem teve também o benefício.   

Desde que o Athletico, há 25 anos, comprou Paulo Rink e Oséas por US$ 60 mil dólares cada, e um ano depois, os vendeu por US$ 7 milhões, Petraglia concluiu que o futebol, através do Furacão, era o negócio da sua vida. Seja para praticar um ideal, pois não há que se negar o seu sentimento pelo clube, seja para participar diretamente dos negócios, mantém historicamente uma cultura muito mais de ganho de dinheiro do que de vitória em campo. E, qualquer jogador que chega, sabe que o CT do Caju é apenas um entreposto de grandes negócios. Ele já vem preparado para ir embora, pois há interesses maiores do que vencer no campo.

A desculpa de Petraglia é esfarrapada face ao fato notório de que “os vendidos” o foram por valor total próximo de R$ 280 milhões. Pergunto ao torcedor: Petraglia deixaria de fazer esses negócios contra a vontade dos jogadores?

A torcida é apaixonada, mas, não é ingênua. Sabe que essa locução de que o “time está em reformulação” é uma grande mentira. Se fosse, assim, depois de oito meses, não teria demitido Dorival Júnior; se fosse assim, compromete-se ainda mais. Quis reformular ao custo de R$30 milhões com Aguillar, Marquinhos Gabriel, Richard, Carlos Eduardo e Abner, todos transformados em opções remotas.

Petraglia não quer é assumir os erros que sempre comete quando assume a responsabilidade do futebol. Toda a vez que teve uma influência no CT do Caju, como agora, fracassou. 

Nesta quarta-feira, em trânsito, não escreverei sobre os jogos de Athletico e Coritiba.  No blog, irei repercuti-los.