Na sua obra “Como o futebol Explica o Mundo”, o jornalista norte-americano Franklin Foer, tendo como referência o futebol, demonstra que o fenômeno da globalização provocou a volta de grupos tribais expondo os piores extintos. 

Contestado pelo futebol, que abusa do uso da paixão para amparar os seus desvios, o tempo lhe deu razão. 

No futebol brasileiro, as crises por derrotas provocam uma onda de ressentimento que oferece o mesmo diagnóstico: os jogadores são culpados. Só que essa indignação, quase sempre, é manifestada por uma gangue de delinquentes que se forma e se preserva sob os valores históricos e morais de um clube.

O Brasileirão foi jogar a sua rodada já perplexo: um grupo delinquente invadiu o estádio do Figueirense, em Florianópolis e agrediu os jogadores.

Algumas horas depois, um extrato de quarentena essa gente da mesma extirpe foi de madrugada ao aeroporto Afonso Pena ameaçar os jogadores do Athletico, que voltavam do Rio de Janeiro depois da derrota para o Vasco. Uma reação normal e justa de um dos ofendidos seria o bastante para desencadear uma espiral de consequências imprevisíveis. Nesse ambiente de angustia e medo em que estamos vivendo como vítimas do COVID-19, bem que seria possível uma tragédia como consequência.

As gangues saíram da quarentena. Covardes só se manifestam em grupos. Com a consciência bloqueada, meus maus instintos ignoram que os jogadores não são os culpados por derrotas. Como seres humanos têm as suas virtudes e os seus defeitos.  São vitimas de um sistema, que direta ou indiretamente usa esses grupos para manter-se no poder.

O Athletico não emitiu uma única nota de solidariedade aos seus jogadores. Não me surpreende, porque os ofensores foram os mesmos que negociaram um lugar na Baixada e uma locução ofensiva de arquibancada.