Acossados pelo perigo do rebaixamento e que já alcança o plano do concreto, Athletico e Coritiba irão se digladiar na Baixada. Os significados imediatos do verbo digladiar se trazem lá do velho Aurélio: bater a espada, corpo a corpo. Essa expressão era comum na locução dos narradores antigos: “o Ferroviário vai se digladiar hoje na Vila Capanema com o Furacão”, dizia o saudoso Aírton Cordeiro, com seu coração “Boca negra”.  

Afirmar que Athletico e Coritiba irão jogar na Baixada é um risco. Jogar no sentido puro da expressão no futebol, provocada a já remota lembrança de que o futebol é uma arte. 

Não é razoável tratar esse Atletiba como um jogo de futebol, esses dois times informam limitações, a qualquer título, que não se pode esperar mais uma luta bruta, como toda aquela em que se privilegia o corpo. Por coincidência os dois irão se digladiar na única arena em expressão literal do futebol brasileiro, a Baixada.

O estado de calamidade e a qualquer título em que os dois estão colocados, não autoriza sequer fazer romantismo teórico do Atletiba. Não se pode afirmar como antigamente que no Atletiba não há favorito, porque há o imprevisível, nada que se pondere.

Desta vez não há favorito porque são dois times de conduta técnica e tática absolutamente ruins. Quando variam, é para serem medíocres. E quando o equilíbrio é pelo baixo nível, assemelha-se ao jogo dos sete erros que aprendemos na infância. 

Os coxas, talvez, estejam mais acostumados com esse ambiente. Nos últimos anos, ou caiu ou lutou para não cair. Ao contrário dos atleticanos que, enganados por seu presidente Mario Celso Petraglia, pensaram que o Furacão havia consolidado a sua grandeza como clube de futebol a nível nacional.

Tem o maior patrimônio do futebol brasileiro, mas, precisa pagar a dívida que o onera e que aumenta em R$ 6 milhões por mês; quando deveria se consolidar dentro de campo, como clube de ponta no futebol brasileiro, foi estrangulado pela ambição destemperada de seu presidente por negócios.

A torcida do Athletico deveria se convencer que futebol ganha com matéria, enquanto patrimônio e dinheiro. Ganha-se com idéias e capacidade para executá-las.

Um Atletiba que poderia ser jogado em um campo de subúrbio ou de fazenda. A Baixada é majestosa demais. O Atletiba sempre é marcado por uma época. Esse de sábado será o Atletiba da mentira. Neste sábado, após o jogo, o blog será atualizado.