Não é pela intransigência passional, é pela razão. Quando se torna uma rotina, o futebol não oferece nenhuma outra alternativa, exigindo ação.

É regra no futebol brasileiro de que a ação imediata é a demissão do treinador. Mas, há exceções. A mudança de treinador nem sempre é a ação reclamada. Seja porque se perdeu tempo demais, seja porque o novo técnico não tem algum recurso que a situação exige, é inevitável o cotidiano de derrotas. 

Há seis jogos, o Athletico não ganha. Dos seis, perdeu cinco. Da linha de frente, está lutando contra o rebaixamento. O recurso imediato que tinha já foi esgotado: depois de oito meses, depois de mais de R$ 30 milhões comprometidos em contratações, e todas elas equivocadas, o presidente Mário Celso Petraglia, concluiu que Dorival Júnior não era um treinador que entendia a filosofia de jogo do clube. Por não ter visão de futebol, entrega um time formado por uma geração frágil de jovens, para um treinador, em fase de estágio, comandar.

O jornalista argentino Jorge Valdano ensina que, às vezes, no futebol, também, não fazer nada é o mais inteligente. A demissão de Dorival Junior teria que ser seguida da contratação imediata de outro treinador.

O Athletico voltou a perder. Agora, em São Januário, para o Vasco, por 1 a 0. O jogo nem bem tinha começado ocorreu uma falha tradicional da “filosofia” de jogo do time:  com as suas linhas adiantadas, sem sistema de marcação e cobertura, tomou uma bola nas costas de Márcio Azevedo, que cruzada, encontrou Cano para marcar o gol. 

Parecendo um time inativo há 8 meses (e, talvez, seja), o Furacão de Eduardo Barros era o mesmo: posse de bola, passes laterais, um ou outro chute de Geuvânio. E, nada.  E, não me surpreendeu esse péssimo jogo.  Não só pelos precedentes, mas, porque Barros falou que é daqueles que escala de acordo com o adversário. Por isso, Erick que foi o melhor do time contra o Bragantino foi jogar na lateral para o fraco Cristian entrar meio. O time ficou sem lateral e sem meia.  

O Athletico teve o dobro da posse de bola. E perdeu. E continuará perdendo, e irá ser rebaixado para a Segundona, se Petraglia não mandar Paulo André embora e trazer um treinador com a sua filosofia. As coisas estão tão mal gerenciadas no CT do Caju, que as questões pessoais entre jogadores estão sendo resolvidas no tapa. 

Nesse momento, o único projeto que o Furacão deve ter é o de não ser rebaixado.