Às vezes a alma reclama de saudades e lá vamos nós atendê-la. Renunciando ao egoísmo de torcedor, as intransigências de jornalista, e mandando Lodi, Léo Pereira, Rony e Bruno Guimarães definitivamente para o passado, fui ver o Athletico golear o Cascavel CR pelo Estadual por 5 x1, na Baixada.

Não sei se estou mal acostumado, mas esse espirito de renúncia não demorou muito. À certa altura do jogo, fui empurrado para um campo minado de dúvidas. É que o Cascavel CR é uma pechincha em um negócio tão sério como é um teste para quem pretende competir na Libertadores, como o Furacão.

Por mais que um placar de 5×1 revele para o apaixonado ou deixe embutidas para o analista algumas virtudes, o Furacão nada evoluiu. Concordo que, as circunstâncias não autorizavam a tomar o jogo do Flamengo como referência, absorvendo da derrota como consequência natural. Mas, não adiantar o passo um centímetro sequer, é a prova de que não restou absolutamente nada do que foi construído por Paulo Autuori e Tiago Nunes.

E, por enquanto, não se culpe o treinador Dorival Junior. Embora tenha vindo consciente de que haveria o desmanche, esperava que a reposição fosse no mínimo razoável.

Sem laterais (Adriano e Azevedo são ex-jogadores) que são a base da ordem adotada há dois anos, as poucas jogadas de meio-campo foram exceções. Sem laterais, Erick e Cittadini ficam pressionados, perdendo-se nas funções. E os momentos de dinâmica ficaram por conta de Nikão, que é um dos remanescentes (o outro é Thiago Heleno), que pode ser levado a sério do que restou do time.

De resto, só decepção: Bambu parecia ter saído direto das suas baladas para a Baixada, tamanha a sua indolência, e Carlos Eduardo parece ser daqueles que sempre será jogador de um futuro que nunca que chega. A sua timidez breca alguma qualidade.

Melhor seria não ter visto o Furacão jogar. Às vezes, uma goleada de 5×1, apenas como notícia, mesmo sendo sobre o Cascavel CR, poderia ser um ponto de referência para ter esperança. Quem viu, saiu da Baixada com a certeza de que em oito dias precisará de fatos extraordinários para, pelo menos, salvar as aparências.