Deus foi testemunha. Depois de cinco derrotas em sequência, dois empates, demitir o técnico, e um mês de fracassos, o Athletico ganhou no Brasileirão. E ganhou porque, quando parece que não há mais nada o que fazer, quando todas as suas esperanças parecem esgotadas, quando todas as suas ilusões parecem soterradas, ainda, resta o Coritiba. O centenário Coxa virou a tábua de salvação dos atleticanos.

Na Baixada, o Furacão ganhou do Coxa por 1 a 0 porque teve a consciência de que não poderia ser pior do que o histórico rival.

Athletico e Coritiba foram leais à previsão e não enganaram: sem nenhuma qualidade individual e tática, fizeram um Atletiba amargo. E nem mesmo o espírito de rivalidade esteve presente para criar uma trilha emotiva que a falta de qualidade técnica impedia. Ao contrário, como se jogassem sem a história quase secular do Atletiba, os dois times foram frios, como se as limitações técnicas prendessem a vontade de fazer mais.

O próprio gol da vitória marcado por Fabinho aos 11 minutos do primeiro tempo, foi o resumo absolutamente fiel dessa verdade: Jonathan fez uma jogada pela direita, e chutou em cima de William Matheus. A bola espirrada em um vazio da grande área, encontrou Fabinho que chutou sem chance para o goleiro.

Outra vez, o Furacão entrou mudado. Agora, com Pedro Henrique na zaga, Wellington, Christian e Erick no meio, e sem o inacabado Bissoli no ataque. Mas, não pensem os atleticanos que a superioridade do Furacão eem especial a vitória foi consequência de evolução. Foi superior, porque é quase impossível ser inferior ao time coxa comandado por Jorginho. Passada a euforia da estreia do treinador, o Coritiba voltou a ter os piores momentos dos tempos de Barroca.

Para o Athletico, resta saber se a vitória nesse Atletiba não terá os efeitos enganosos como tiveram as vitórias dos Atletibas no Estadual. Há esse risco, porque a incapacidade para avaliar e a vaidade para renunciar posições anteriores, podem retardar a providência necessária que é o novo treinador.

Para o Coritiba, resta saber se a derrota no Atletiba não será considerada como natural em um clássico. Se essa for a referência, a situação coxa fica, ainda, mais gravíssima.  Tornar regra lógica perder para o Furacão atual é aceitar e antecipar o retorno para a Segunda Divisão. Os únicos destaques em campo foram Christian e Erick.