O presidente do Athletico, Mário Celso Petraglia, na terça-feira (11), fez 76 anos de idade. Sem cerimônia, passou a data na mansão de Campo Comprido, onde se auto exilou para buscar a recuperação plena de sua saúde.

O dia do aniversário de Petraglia me provoca algumas boas e fortes lembranças. Em 11 de fevereiro de 1999, dia dos seus 55 anos, Petraglia estava angustiado. É que as obras da primeira Arena da Baixada atrasadas, devam sinais de que não seriam concluídas para a inauguração.

Então, retornando de uma viagem, foi direto para a construtora de Ênio Fornea Junior, com quem tinha divergido. Em um gesto simbólico, entregou-lhe uma chave e pediu: “Termine”. Com o Furacão esgotado financeiramente, Fornea e Ademir Adur comandaram a conclusão da Baixada. Aí, Petraglia vendeu o atacante Lucas para o Rennes, da França, e o Athletico pagou toda a conta.

Nesse 11 de fevereiro de 1999, fui ter com Mário Celso Petráglia. Dei-lhe um abraço e um livro de presente: no livreto “Ah, se eu soubesse…”, o executivo americano Ricard Edler, então, com 76 anos de idade, cita pessoas bem-sucedidas, e o que elas gostariam de ter sabido 25 anos atrás. No meio do meu livro de Edler, encontro uma mensagem “Desejos de Natal”, assinada por Petraglia.

Voltar ao passado, talvez, seja inútil, porque, sem espirito de renúncia para aceitar de imediato o erro, sempre achamos que nossas escolhas são as melhores. Mas, às vezes, voltar ao passado é assustador.

Aos 76 anos de idade, o que Petraglia gostaria de ter sabido 25 anos atrás? Quais seriam as boas consequências para o Athletico? Já teria sido campeão do Mundo? A Baixada já estaria paga, ou seguiria o conselho de construí-la nos limites que eram possíveis sem criar os traumas que criou.

Foi em 11 de fevereiro de 2002, quando o “volte, Petraglia” criou um ambiente de uma crise política que nunca existiu, ele me telefonou: “Você tem que decidir: ou você está comigo ou está contra mim”. Hoje a minha resposta seria absolutamente igual a que dei há 18 anos: ficaria em silêncio.

Tudo isso, diria Ruy Barbosa, “é coisa de louco”.

Mario Celso Petráglia está em época de aniversário.

Não lhe mando parabéns. Uma mensagem como essa de um crítico é interina, dilui-se como falsa. Prefiro desejar-lhe saúde, muita saúde e que aprenda ter paz interna. É que delas, ele e o Athletico precisam.

Correção

Na coluna de segunda (10) referi-me ao saudoso zagueiro Vagner como “General”. Era o “Bacharel”. Há equívocos incorrigíveis. Esse, por ser eu, imperdoável.