Fantasma camarada

O presidente do Coritiba Vilson Ribeiro de Andrade está tratando o malufista José Maria Marin e o palmeirense Marco Polo Del Nero, que exercem o poder na CBF, como se fossem anjos, incapazes de cometer o pecado de ajuda ao Palmeiras na final da Copa do Brasil.

Não está errado. Às vezes sabemos que os nossos fantasmas existem, conhecemos-os de carne e osso, mas somos obrigados a domá-los às escondidas. Bem por isso, também, que o Coritiba ganhou o título brasileiro de 1985.

Contra o pedido dos Coxas, que queria um árbitro gaúcho para a decisão no Maracanã, a CBF indicou o paulista Romualdo Arpi Filho. Evangelino viu um fantasma parecido com Arppi Filho assanhando-se pelos encantos do bicheiro Castor de Andrade, presidente do Bangu e dono de uma das maiores fortunas do Brasil.

Ao invés de brigar com a CBF, o histórico presidente foi bem cedo para o Rio de Janeiro, em companhia do atleticano Osni Pacheco e do pinheirense Valdomiro Perini. Estevão Damiani, Ênio Andrade e Odivonsir Frega ficaram em Curitiba, cuidando do time.

No Rio, Evangelino, Osni e Perini foram almoçar com João Havelange. O presidente da Fifa ficou tão comovido com o apelo para que Romualdo fosse imparcial, que mandou um recado para o árbitro: “Se o meu amigo Evangelino estiver feliz depois do jogo, eu é quem indicarei o árbitro brasileiro para a Copa do México (1986)”. Ao jogo do Maracanã…

Após o gol de empate, o Bangu passou a dominar o Coritiba, sempre lançando bolas para o ponteiro Marinho entrar enfiado pelo meio. Numa delas, Marinho driblou Rafael e fez o segundo gol. O bandeirinha correu para o meio-campo, confirmando. “Gol legalll!”, ecoou o grito de Mário Vianna, o árbitro do juiz, nos 90 mil rádios na Rádio Globo, no Maracanã. Mas Arppi Filho chamou a responsabilidade para si e anulou o gol de Marinho.

Resultado: o jogo terminou 1 x 1, os Coxas foram campeões brasileiros na decisão por pênaltis e Romualdo não só foi indicado como o árbitro brasileiro da Copa do México, como foi escolhido pessoalmente por Havelange para dirigir a final entre Argentina e Alemanha.

O fantasma de Evangelino virou seu amigo, uma espécie de fastaminha camarada.

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